Ciro evita comentar elo de Flávio Bolsonaro com Banco Master: “Não vou me distrair com isso”

O ex-ministro Ciro Gomes evitou aprofundar comentários sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Ceará, neste sábado (16). Questionado sobre a possibilidade de dividir palanque com o parlamentar do PL, Ciro afirmou que não pretende se “distrair com isso” e direcionou críticas ao sistema financeiro e ao pagamento de precatórios pelo Governo Federal.

A declaração ocorre dias após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro a Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O empresário está preso desde março e é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

O episódio ganhou peso político no Ceará porque o Partido Liberal estadual anunciou apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes ao Palácio da Abolição, aproximando grupos que historicamente estiveram em lados opostos da política nacional.

Ciro Gomes evita ampliar críticas a Flávio Bolsonaro
Ao responder sobre a possível aliança política envolvendo setores ligados ao bolsonarismo, Ciro preferiu minimizar o assunto e afirmou que a imprensa estaria concentrada apenas em debates momentâneos.

“Vocês da imprensa só prestam atenção no dia a dia”, declarou.

Na sequência, o ex-ministro voltou a criticar operações envolvendo o mercado de precatórios e mencionou instituições financeiras ligadas ao setor. Segundo ele, houve prejuízo bilionário relacionado à compra de títulos com desconto e posterior pagamento integral pelo Governo Federal.

Ciro citou Banco Master e BTG ao comentar o tema e afirmou que esse seria o verdadeiro escândalo econômico do país.

Apesar da pergunta envolver diretamente Flávio Bolsonaro e a recente revelação dos áudios, o ex-ministro evitou entrar em confronto direto com o senador.

A postura chamou atenção porque acontece justamente no momento em que lideranças do PL cearense se aproximam politicamente de Ciro Gomes para a disputa eleitoral de 2026.

Caso Banco Master ganhou repercussão após divulgação de áudios
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou repercussão nacional após reportagem publicada pelo site Intercept Brasil.

Segundo a apuração, o senador procurou o empresário para buscar recursos destinados à produção do filme “Dark Horse”, projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.

De acordo com a reportagem, Vorcaro teria realizado pagamentos milionários relacionados ao projeto entre fevereiro e maio de 2025. O valor solicitado por Flávio Bolsonaro ultrapassaria R$ 100 milhões.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre eventual repasse integral dos recursos citados na publicação.

Após a divulgação dos áudios, Flávio Bolsonaro publicou vídeo nas redes sociais confirmando que buscou patrocínio privado para o filme do pai. O senador afirmou que havia contrato formal relacionado à negociação e negou irregularidades.

O caso ampliou a pressão política sobre figuras ligadas ao PL e aumentou a repercussão nacional em torno das investigações envolvendo o Banco Master.

PL Ceará oficializa apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes
Mesmo após anos de críticas mútuas entre Ciro Gomes e o bolsonarismo, o PL Ceará decidiu apoiar a pré-candidatura do ex-ministro ao Governo do Estado.

O movimento foi oficializado durante o evento político deste sábado.

Participaram do encontro o deputado federal André Fernandes, presidente estadual do PL Ceará, e o deputado estadual Alcides Fernandes.

Nos bastidores, a aproximação é vista como tentativa de fortalecer uma frente de oposição ao atual grupo governista cearense.

A aliança também chama atenção porque contrasta com declarações anteriores de Ciro Gomes contra Jair Bolsonaro e setores do bolsonarismo nacional.

Ainda assim, lideranças do PL no Ceará defendem a união como estratégia política para as eleições de 2026.

Daniel Vorcaro é investigado pela Polícia Federal
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no dia 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição bancária e uma possível tentativa de aquisição do banco pelo Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao Governo do Distrito Federal.

O caso passou a ter maior repercussão política após a divulgação das conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

As investigações seguem em andamento e ainda não houve conclusão judicial sobre os fatos apurados pela operação.

Fonte: GC+