O senador Cid Gomes (PSB) rifou a expectativa de correligionários nesta terça-feira (26) ao indicar, em reunião a portas fechadas, que a decisão de ser ou não candidato ao Senado é do próprio deputado federal Júnior Mano (PSB).
“Se o Júnior Mano desejar, ele é o candidato”, afirmou aos cerca de 40 pré-candidatos à Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) presentes na reunião marcada ainda na semana passada pelo próprio senador.
O encontro tinha, por parte de parlamentares estaduais, a pretensão de ser apenas com a bancada do partido na Alece, mas foi ampliado por decisão de Cid. A fala de Cid aconteceu já ao final da reunião que durou cerca de quatro horas e foi acompanhada, pouco antes dessa declaração, de elogios do ex-governador a Júnior Mano.
Cid chegou a dizer que seu correligionário é uma liderança estadual maior que ele mesmo, o governador Elmano de Freitas (PT) e o senador Camilo Santana (PT), referindo-se à capilaridade do parlamentar.
Cid voltou também a argumentar que seu partido conseguiu se expandir com a ajuda de Júnior Mano, tanto na Alece quanto nos Executivos municipais. Em geral, os “votos das prefeituras” valem ouro para a eleição das proporcionais, ou seja, os cargos eletivos de deputados estaduais ou federais.
Um dos principais defensores entre as lideranças do PSB no Ceará a defenderem a reeleição de Cid ao Senado, o presidente Romeu Aldigueri (PSB) deixou o local sem falar com a imprensa. Aldigueri vem investindo no argumento de que o senador, nominalmente, deve compor a chapa de reeleição do governador Elmano, seja na posição de vice, seja na posição de senador.
“Honrarei minha palavra”
Na saída da reunião, questionado pelo O Estado sobre a declaração dada aos correligionários, Cid voltou a dizer que “tem palavra”, argumento utilizado pelo senador desde quando o nome de Júnior Mano passou a ser ventilado para a indicação.
“Uma das coisas para mim fundamentais, que me dá longevidade na política, é as pessoas confiarem na minha palavra. E eu não abro mão da minha palavra por nada nesse mundo. Então, eu tenho um compromisso com o Júnior Mano de que defenderei a candidatura dele para ser senador […] Ele é meu candidato, e, enquanto ele quiser, eu honrarei a minha palavra”.
Sem entrar em detalhes, os deputados estaduais Osmar Baquit e Leonardo Pinheiro, este de licença, comentaram à reportagem, ao deixar a reunião, que houve por unanimidade um pedido para que o senador seja candidato à reeleição. Ambos são do PSB. O Estado desde fevereiro deste ano vem noticiando que integrantes do PSB não querem ver o nome de Júnior Mano avançar como indicado ao posto.
Em conversas reservadas, lideranças próximas à cúpula governista apontam que a avaliação é de que o parlamentar tem carreira política sem muito “tempo de estrada” e que “caso o senador não deseje se candidatar há outros nomes com gabaritos melhores”.
“A única pessoa que pode demover o senador não é a bancada. A única pessoa que pode demover o senador disso é o próprio Júnior Mano”, comentou um dos presentes pedindo para não ser identificado.
Na reunião, Cid disse que enquanto “tiver saúde estará na política”, argumento que vai ao encontro da sua defesa em entrevista exclusiva ao O Estado na semana passada, de que “há várias formas de fazer política” que vão além de cargos eletivos, a exemplo de liderança em partidos, militância política e secretários ou ministros de Estado.
Cid foi governador de 2007 a 2014 e fez seu sucessor Camilo Santana, ex-ministro e hoje senador, e é aliado de primeira hora do governador Elmano.
“40% de mulheres”
Ao O Estado, Cid explicou que o encontro desta terça focou nos pré-candidatos estaduais e que há um desejo “de ter na chapa um número significativo de mulheres”, acrescentou.
“Estima-se que a lei obriga que você tenha 30% para mulheres, mas para a nossa boa surpresa a estimativa é de que a gente tenha 40% da nossa chapa composta de candidatas. E aí fizemos estimativas de votação, avaliação do processo, enfim, coisa que é do dia a dia da nossa responsabilidade”.
Fonte: O Estado

