“Foi meu primeiro namorado”, diz namorada de atleta morto em acidente com ônibus no Ceará
Entre os familiares, amigos e colegas que se despedem das vítimas do acidente com o ônibus da delegação de basquete de Juazeiro do Norte, um relato emocionou quem acompanhava o velório coletivo realizado nesta terça-feira (16). Namorada de Cauã Rodrigues Fratta, um dos sete mortos na tragédia, Amanda Elen relembrou os últimos momentos que viveu ao lado do jovem atleta e contou que esperou por uma mensagem que nunca chegou.
A delegação retornava de Sobral após a conquista do título da Copa Sobral 2026 na categoria Sub-19 quando o ônibus saiu da pista e tombou na CE-187, entre Tauá e Quiterianópolis, durante a madrugada de segunda-feira (15). O acidente deixou sete mortos e pelo menos 21 feridos.
Em meio ao clima de comoção que tomou conta do Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte, Amanda recordou a história construída ao lado de Cauã e os planos interrompidos pela tragédia. “Ele foi meu primeiro namorado. A primeira pessoa por quem eu me apaixonei”, disse.
Namoro começou no Dia dos Namorados
Segundo Amanda, os dois oficializaram o relacionamento no último Dia dos Namorados, apenas algumas horas antes da viagem da equipe para Sobral.
Ela contou que havia comentado com Cauã sobre o desejo de receber um pedido de namoro em um local especial para o casal. O jovem decidiu transformar o sonho em realidade.
“A gente saiu para o Centro Cultural. Eu tinha dito a ele que queria muito ter um pedido de namoro lá. Então ele juntou dinheiro, comprou nossas alianças, me pediu em namoro e, no mesmo dia, viajou”, relatou. A lembrança do momento se tornou ainda mais marcante após o acidente.
Horas depois do pedido, Cauã embarcou com a delegação para disputar a competição de basquete. O time conquistou o título da categoria Sub-19 e iniciou a viagem de volta para Juazeiro do Norte durante a madrugada.
“Ele sempre me avisava quando chegava”
Amanda contou que uma das preocupações constantes era saber se Cauã havia chegado em segurança após os treinos e compromissos esportivos. Segundo ela, o atleta costumava retornar tarde para casa e sempre enviava mensagens para tranquilizá-la.
“Eu ficava muito preocupada. Pedia para ele me avisar sempre quando chegasse em casa”, lembrou. Em uma conversa recente, Cauã chegou a questionar o motivo da preocupação.
“Ele perguntou: ‘O que tu tem medo que aconteça comigo?’. Eu respondi: ‘Qualquer coisa de ruim. Só, por favor, me avisa quando chegar em casa’”, contou. Na madrugada após a viagem, Amanda aguardou a mensagem que costumava receber.
“Ele disse: ‘Quando eu voltar, vou te contar tudo o que aconteceu’. Eu fiquei esperando. Quando acordei, ele não tinha mandado mensagem ainda”, relatou. A ausência da mensagem despertou uma sensação de inquietação. “A primeira coisa que eu disse para as minhas amigas foi: ‘Será que aconteceu alguma coisa?’. Eu acordei agoniada”, afirmou.
Jovem sonhava em cuidar da família
Durante o depoimento, Amanda descreveu Cauã como um jovem dedicado, carinhoso e preocupado com as pessoas que amava. Ela revelou que o atleta sonhava cursar fisioterapia para ajudar a avó.
“Ele queria ser fisioterapeuta para poder cuidar da vó dele”, contou. Segundo Amanda, Cauã costumava dizer que tinha medo de não conseguir cuidar das pessoas próximas.
“Ele falava que tinha medo de ficar impossibilitado de cuidar de quem amava”, disse. A jovem também lembrou da ajuda que recebeu do namorado durante momentos difíceis. “A gente se conheceu quando eu estava passando por crises de ansiedade. Ele me ensinou muita coisa. Me ajudou a controlar tudo”, relatou.
Velório coletivo reúne homenagens às vítimas
O velório coletivo acontece no Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte, onde familiares, amigos, colegas de escola e atletas prestam as últimas homenagens às vítimas.
Ao longo do dia, sobreviventes do acidente levaram bolas de basquete para homenagear os companheiros mortos. Velas também foram acesas ao redor do espaço, transformando o ginásio em um cenário de despedida e lembranças.
A tragédia mobilizou toda a comunidade esportiva do Ceará e provocou manifestações de solidariedade de equipes, instituições de ensino e autoridades.
“Ele foi o menino mais incrível que eu já conheci”
Ao final do relato, Amanda resumiu a importância que Cauã teve em sua vida e a dimensão da perda enfrentada pela família e pelos amigos.
“Ele me salvou. Foi um menino incrível. Era o menino mais incrível que eu já conheci em toda a minha vida”, afirmou.
A frase emocionou pessoas que acompanhavam o velório e sintetizou o sentimento de quem conviveu com o jovem atleta, lembrado não apenas pelos resultados dentro das quadras, mas também pela forma como marcou a vida das pessoas ao seu redor.
Fonte: GC+

