A disputa pela indicação para a segunda vaga ao Senado na chapa do governador Elmano de Freitas (PT) ganhou novas dimensões e se transformou em um assunto local, cujo foco passou a ser a presidência da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e é um dos instrumentos com que o MDB tem “jogado” dentro da aliança governista.
O cargo, valoroso entre outras razões pela capacidade de controle de demandas discutidas na Casa, vindas da gestão estadual, pertence atualmente ao PSB, com a eleição, em 2024, do deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB), para mandato nos anos 2025 e 2026. Romeu Aldigueri é candidato a deputado federal.
Primeiro vice-presidente da Alece, o deputado estadual Danniel Oliveira (MDB) é o nome do partido que tem participado de reuniões com Elmano e demais integrantes da cúpula que define as estratégias da chapa de reeleição do gestor.
O presidente estadual do partido, deputado federal Eunício Oliveira, recebeu alta médica há cerca de 20 dias e está em São Paulo. O mesmo Danniel Oliveira, por ter ocupado outro posto na Mesa Diretora da Casa, é o nome que tem sido cotado, com debates ainda iniciais, para ser eventualmente o candidato governista no caso de uma vitória de Elmano.
A redefinição de intenções dos “acentos na chapa” acontece desde o início do mês passado, quando o senador Cid Gomes (PSB), até aquele momento um dos protagonistas dos bastidores da disputa de outubro, foi anunciado à reeleição.
“Apoios semelhantes”
A mudança de posição veio após reunião, em Brasília, com o presidente Lula (PT), na qual ficou decidido que Cid seria novamente candidato, com a expectativa de se tornar o primeiro senador reeleito no Ceará, e o até aquele momento nomeado para a disputa, deputado federal Júnior Mano (PSB), para ser seu primeiro suplente.
Em 2018, Eunício Oliveira e Cid Gomes disputaram vagas ao Senado, mas o deputado federal não conseguiu se eleger. Em tese, Cid e Eunício, por estarem na mesma base, disputam apoios semelhantes. No último domingo (2), o presidente do Republicanos Ceará, Chiquinho Feitosa, chegou a declarar que ele e Eunício haviam desistido da indicação ao Senado este ano.
Questionado pelo O Estado na última segunda-feira (3) sobre se o MDB de fato não articulava mais a indicação, Danniel Oliveira se limitou a dizer que a decisão será tomada na convenção partidária, que acontece nesta quarta-feira (5), das 9 às 12 horas em um prédio no bairro Meireles.
O deputado estadual vinha ao longo dos últimos meses defendendo a tese de que sua legenda esteve ao lado do senador Camilo Santana (PT) em 2022, antes mesmo da escolha de Elmano como candidato ao Governo do Estado. À época, o nome pensado era o da então governadora Izolda Cela (PSB), primeira mulher a ocupar a principal cadeira do Palácio da Abolição.
Após um racha no PDT, seu antigo partido, Izolda, também candidata de Cid além da de Camilo, saiu vencida pelo ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil), hoje vice na chapa de Ciro Gomes (PSDB), candidato ao Governo do Estado pela oposição.
Elmano foi deliberado no limite do prazo das convenções partidárias, mas ainda assim venceu no primeiro turno. Eunício colaborou com a construção, apontou Danniel em sua reiterada defesa de que o MDB estivesse na chapa, com preferência por indicação ao Senado, local que já foi presidido por Eunício Oliveira.
“Componente Moses”
Diante de um componente neste ano, a possível chegada do deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil) como escolhido para a segunda indicação à Casa Alta, o caminho para o MDB ficou entrecortado.
Com o cenário insurgente, refutado nesta terça-feira (4) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), a alternativa de força da legenda foi fazer frente ao acordo para a presidência da Alece, numa eventual continuidade do mandato de Elmano. Antes de ter a vice na chapa, o PSD também colocou à mesa uma possível indicação à presidência da Casa.
O presidente do PSD Ceará, Domingos Filho, é candidato à assembleia, instituição que já presidiu. A tradição da Alece, contudo, é que o partido com o maior número de mandatos tenha predileção pelo posto, ambiente que torna a disputa mais acirrada: o principal líder do PSB, o mais numeroso partido da Casa, é o senador Cid Gomes, que trabalhou nos últimos meses para construir uma bancada forte, além de para garantir uma influência na coalizão de Elmano.
A expectativa é de que nesta quarta o MDB Ceará manifeste durante a convenção se vai seguir na corrida pela segunda vaga ao Senado ou se vai buscar manter seu presidente estadual como deputado federal.
Em 2022, o MDB ficou com a indicação à vice, com Jade Romero, candidata à deputada estadual pelo PT. Jade deixou o anterior partido em março deste ano, em meio a uma tentativa de negociação com a direção nacional da Federação União Progressista (Federação UPB), a fim de retirar o apoio da agremiação do campo oposicionista.
Jade, no entanto, não migrou para o União Brasil e acabou indo para o PT, após a Executiva nacional da federação optar pela escolha de Capitão Wagner, candidato ao Senado, como presidente da agremiação.
Fonte: O Estado CE

