A jogadora Tifanny, de 41 anos, reagiu à nova política da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que restringe a participação de atletas trans nas competições femininas. Primeira atleta trans a atuar na Superliga, ela classificou a mudança como um “enorme retrocesso” e afirmou que pretende continuar lutando para permanecer no esporte.
A manifestação ocorreu após a estreia do Osasco São Cristóvão Saúde no Campeonato Paulista, na noite do último sábado (15). Tifanny marcou 19 pontos na partida contra o Pinheiros, mas sua equipe perdeu por 3 sets a 2, no Ginásio José Liberatti.
Em pronunciamento divulgado pela assessoria do Osasco, a jogadora afirmou que a decisão da CBV tem impacto que vai além de sua própria carreira. Segundo ela, a mudança também atinge o clube, torcedores, patrocinadores e pessoas trans que acompanham sua trajetória.
Tifanny disse ainda que pretende recorrer às medidas que estiverem ao seu alcance para defender o direito de continuar competindo e para evitar que sua trajetória no esporte seja interrompida.
Mudança nas regras
A nova política da CBV foi anunciada na sexta-feira (14), um dia antes da partida do Osasco. A entidade estabeleceu que as competições femininas serão destinadas a atletas designadas do sexo feminino ao nascer.
Entre os novos critérios está a exigência de resultado negativo para o gene SRY, relacionado à determinação sexual.
A regra anterior permitia a participação de mulheres trans desde que fossem cumpridos determinados limites para os níveis de testosterona no organismo.
De acordo com a CBV, a alteração busca adequar as competições brasileiras às normas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
A determinação já será aplicada às próximas edições da Superliga, incluindo as duas principais divisões, e da Supercopa. A Copa Brasil também seguirá o novo critério. No vôlei de praia, a regra passa a valer para o Circuito Brasileiro a partir de 2027.
Participação no Campeonato Paulista
Apesar da mudança anunciada pela CBV, Tifanny entrou em quadra pelo Osasco no Campeonato Paulista. A Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o estadual continuaria seguindo o regulamento adotado no início da competição.
A entidade afirmou que eventuais mudanças para os próximos torneios serão avaliadas após manifestações das áreas jurídica e de saúde.
Tifanny atua no vôlei feminino desde 2017. Em 2025, tornou-se a primeira atleta trans a conquistar o título da Superliga feminina, consolidando uma trajetória inédita no principal campeonato nacional da modalidade.
Fonte: Opinião CE

