O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), recebeu mais um pagamento do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Conforme a revista Piauí, apesar de o senador afirmar que o último pagamento que Vorcaro fez foi em maio de 2025, o dono do Banco Master enviou uma parcela de 1,6 milhão de dólares em 16 de setembro de 2025.
O repasse de 1,6 milhão de dólares foi feito oito dias depois de Flávio enviar uma mensagem a Vorcaro cobrando parcelas atrasadas. Com o novo pagamento, o valor total passa de 10,6 milhões para 12,3 milhões de dólares. Na cotação da época, o valor equivalia a mais de R$ 65 milhões.
De acordo com a reportagem, as informações constam em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o órgão que fiscaliza as transações financeiras.
Os valores foram enviados para o Havengate Development Fund, fundo americano que administrava o dinheiro de Dark Horse. Ao ser questionado sobre a informação, Flávio Bolsonaro disse para fazer a pergunta para a produtora do longa, a Go Up Entertainment. O candidato diz não ter como saber sobre o pagamento.
A revista aponta evidências de outro pagamento. Em mensagem de Flávio a Vorcaro, no dia 22 de outubro, o senador cobra o repasse. Após insistência, ele afirma: “Mais uma vez, com toda a liberdade que temos, se não der me fala que procuro urgente outro caminho”. Na resposta, Vorcaro escreve: “Deixa comigo irmão, vou ver agora”.
Na sequência, uma hora depois das mensagens do senador, o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar dinheiro para o filme, recebe resposta de Vorcaro: “Liberei mais uma hoje”. Não há informação se o novo pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado. Se sim, o valor total desembolsado sobe para 14 milhões de dólares, ou R$ 72 milhões.
“Relação privada”
O candidato, quando comenta sobre o caso, afirma que não há dinheiro público envolvido no financiamento do filme. Ele destacou ainda que sua relação com Vorcaro é algo privado.
Em sabatina no Jornal Nacional na última sexta-feira (28), ele seguiu sem explicar o contrato com o banqueiro. Segundo Flávio, não há “absolutamente nada de errado” em ter buscado Vorcaro para bancar o filme. “Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”.
A Polícia Federal (PF) apura suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos negócios envolvendo Dark Horse.
Dentre os pontos da investigação, a PF busca saber se houve vantagem indevida em razão da função pública de Flávio. O Código Penal, no artigo 317, dispõe sobre o ato de “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida”.
Fonte: Opinião CE

