A divulgação do áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou impacto direto no cenário eleitoral para 2026, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19). O levantamento mostra queda nas intenções de voto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora aparece com vantagem consolidada tanto no primeiro quanto no segundo turno.
No cenário principal da disputa presidencial, Lula registra 47% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34,3%. Em comparação ao levantamento anterior, realizado em abril, o petista oscilou positivamente de 46,6% para 47%, enquanto o senador caiu de 39,7% para 34,3%, uma retração de 5,4 pontos percentuais.
A pesquisa sugere que parte do eleitorado de Flávio migrou para o grupo de indecisos, brancos e nulos, que cresceu significativamente no período analisado. O percentual passou de 4,7% para 9,3%.
Atrás dos dois principais nomes aparecem Renan Santos, com 6,9%, Romeu Zema, com 5,2%, e Ronaldo Caiado, com 2,7%. Augusto Cury e Aldo Rebelo ficaram abaixo de 1%.
Áudio envolvendo Daniel Vorcaro muda cenário eleitoral
A coleta de dados começou no mesmo dia em que veio a público o áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil. Na gravação, Flávio Bolsonaro conversa com Daniel Vorcaro, ligado ao antigo Banco Master, sobre recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção relacionada à trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo a AtlasIntel, 95,6% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento do vazamento das conversas, enquanto 93,9% disseram ter ouvido o conteúdo divulgado.
O impacto político também apareceu de forma direta na percepção dos eleitores. Para 45,1% dos entrevistados, o episódio enfraqueceu muito a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Além disso, aumentou o número de pessoas que associam o escândalo envolvendo o Banco Master ao entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em março, esse índice era de 28,3%. Agora, chegou a 43,3%.
Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno
A mudança mais expressiva aparece na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O presidente da República surge com 48,9% das intenções de voto, enquanto o senador do PL marca 41,8%. Na pesquisa anterior, os dois estavam tecnicamente empatados: Flávio tinha 47,8% e Lula aparecia com 47,5%.
O levantamento indica uma queda de seis pontos percentuais para Flávio Bolsonaro no segundo turno desde abril.
A AtlasIntel também simulou outros cenários de confronto direto. Contra Romeu Zema, Lula registra 47,8% contra 37,6%. Em uma disputa contra Ronaldo Caiado, o petista aparece com 47,5%, diante de 38,5% do governador de Goiás.
Já contra Renan Santos, Lula alcança 47,8%, enquanto o representante do Missão soma 28,4%.
Cenários sem Flávio Bolsonaro favorecem outros nomes da direita
O instituto também avaliou hipóteses sem a presença de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
No cenário em que o senador deixa a corrida e o PL não apresenta substituto, Lula lidera com 46,7% das intenções de voto. Romeu Zema sobe para 17%, Ronaldo Caiado alcança 13,8% e Renan Santos aparece com 8%.
Outra simulação incluiu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como candidata do PL. Nesse caso, Lula mantém 47% das intenções de voto, enquanto Michelle registra 23,4%.
Na sequência aparecem Romeu Zema, com 10%, Renan Santos, com 7,8%, e Ronaldo Caiado, com 6%.
AtlasIntel ouviu mais de 5 mil brasileiros após divulgação do áudio
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio de 2026, período imediatamente posterior à divulgação do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Foram entrevistadas 5.032 pessoas com 16 anos ou mais por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que o áudio foi reproduzido aos entrevistados apenas após o encerramento do questionário eleitoral. Segundo ele, a intenção era medir a percepção do eleitorado sobre o episódio sem interferir nos cenários de intenção de voto apresentados durante a pesquisa.
Fonte: GCmais

