O Acidente Vascular Cerebral (AVC) se firmou como uma das principais causas de morte no Brasil. A doença já ultrapassa o infarto em número de óbitos. Os dados são alarmantes: em 2025, em decorrência da alteração do fluxo de sangue ao cérebro, 85.857 brasileiros morreram. Isso representa uma morte a cada seis minutos. Em 2024, foram mais de 85 mil óbitos, confirmando a dimensão de um problema de saúde pública que cresceu e está entre os principais responsáveis por mortes no país.
O custo da doença também é elevado. Entre 2019 e setembro de 2024, o tratamento de pacientes com AVC consumiu R$ 910 milhões do sistema hospitalar, segundo a consultoria Planisa. Foram mais de 85 mil internações, e um em cada quatro pacientes precisou de leito de UTI. Seja do tipo isquêmico, responsável pela maioria dos casos, causado por obstrução de artéria, ou hemorrágico, quando há rompimento de vasos sanguíneos, geralmente com maior gravidade, o AVC continua gerando preocupação.
No entanto, apesar da gravidade, especialistas indicam que entre 80% a 90% dos casos poderiam ser prevenidos.
“Consideramos o AVC uma doença prevenível na grande maioria dos casos, pois a sua incidência está associada a fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool”, explica Veronica Tavares, professora neurologista na Afya Educação Médica Fortaleza.
A médica destaca que o AVC tem atingido também pessoas mais jovens, em um cenário que amplia o alerta para a importância da prevenção contínua e do controle dessas condições ao longo da vida. O tempo de resposta é determinante: a ausência de atendimento rápido pode provocar danos neurológicos graves, o que reforça a necessidade de reconhecer os sinais e buscar assistência imediata.
Casos recentes ajudam a ilustrar a importância do atendimento ágil. A cantora Kelly Key relatou que o marido, Mico Freitas, sofreu um AVC isquêmico após apresentar fala enrolada e perda de coordenação de um lado do corpo. Segundo ela, a rapidez na busca por atendimento, menos de 30 minutos entre os primeiros sintomas e a chegada ao hospital, foi decisiva para a estabilização do quadro.
“Episódios como esse reforçam a importância de agirmos rápido após a apresentação dos sintomas. Isso pode reduzir significativamente as sequelas e aumentar as chances de recuperação das vítimas”, destaca Veronica Tavares.
Os sinais mais comuns, embora nem todos sejam manifestados, são: dores de cabeça intensas e repentinas, formigamento súbito de um lado do corpo, dificuldade para se expressar ou entender o que está acontecendo ao redor, fala arrastada e confusa e perda de visão.
Fonte: ANC

