Camilo impõe própria candidatura ao Governo como condição para Júnior Mano ao Senado

A base aliada do governador Elmano de Freitas, do Partido dos Trabalhadores, enfrenta sua crise mais aguda recente. O que antes eram comentários isolados de descontentamento nos corredores da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) transformou-se em uma guerra fria declarada entre as principais lideranças políticas do grupo. No centro do racha, Cid Gomes (PSB) e Camilo Santana (PT) com um sumiço estratégico e um veto

De acordo com fontes de bastidores ligadas ao Palácio da Abolição, o ex-ministro da Educação Camilo Santana subiu o tom em conversa com o também senador Cid Gomes e estabeleceu uma condição inegociável para o desenho das alianças locais. A ordem é clara: “Só aceita Júnior Mano como candidato ao Senado se ele (Camilo) for candidato ao governador”. Camilo veta a indicação de Júnior Mano a uma das vagas ao Senado, como deseja Cid Gomes. Cid chamou Camilo de “traidor”.

O chá de sumiço de Cid

Enquanto a pressão aumenta, o senador Cid Gomes optou pelo isolamento. Relatos dão conta de que Cid está há dez dias sem atender ligações de aliados e interlocutores políticos. O “chá de sumiço” do senador não é visto como mero cansaço, mas sim como um recado político silencioso e estratégico.

Interlocutores do senador garantem que, apesar do silêncio e das movimentações de terceiros, Cid só tem compromisso com Elmano de Freitas. No entanto, o isolamento atual do líder da ala governista do PSB trava negociações importantes e deixa a base em estado de alerta máximo.

Os impactos da crise

A paralisia provocada pelo sumiço de Cid Gomes e pelas exigências de Camilo Santana reverbera diretamente na sustentação do governo Elmano de Freitas, que tenta manter a “estabilidade” da administração enquanto assiste ao racha entre seus principais padrinhos políticos. Noutra ponta, Júnior Mano, pivô do mais recente impasse, com seu futuro político dependendo do desfecho desse cabo de guerra, também está optando pelo silêncio. Inclusive, sem agenda de eventos.

Tensão

O clima na Assembleia Legislativa é de apreensão. Deputados da base governista temem que a falta de diálogo entre Camilo Santana e Cid Gomes degenere em um racha irreversível, comprometendo as votações de interesse do Executivo e o desenho das próximas disputas eleitorais.

Fonte: O Otimista