Caso Isabelle Caracristi: advogada de Munhoz pede desculpas à família após fala sobre morte da jovem
A advogada Lígia Peixe, que representa João Munhoz Neto, pediu desculpas à família de Isabelle Caracristi após uma declaração sobre a morte da jovem. Em entrevista à TV Cidade na manhã desta quinta-feira (24), a defensora afirmou que a forma como havia se manifestado anteriormente foi inadequada e reconheceu que a fala gerou repercussão.
“ A minha colocação que foi infeliz e eu peço desculpas à família”, afirmou Lígia durante a entrevista.
A manifestação ocorreu em meio à investigação sobre a morte de Isabelle, de 22 anos, encontrada no pátio do condomínio onde morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza, em 13 de setembro. João Munhoz foi preso preventivamente em 22 de setembro e permanece investigado pelas circunstâncias que antecederam a morte da jovem. A prisão foi mantida após audiência de custódia.
Advogada de João Munhoz pede desculpas à família de Isabelle Caracristi
Ao comentar a prisão do namorado de Isabelle, Lígia Peixe contestou a medida e sustentou que João não teve participação na morte da estudante. Na ocasião, a defesa apresentou a hipótese de suicídio como sua versão para explicar o que aconteceu.
A advogada declarou: “Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso? Ele não estava em casa, certo? Então assim, ele está abalado”. A declaração foi feita ao defender que João não estava no apartamento no momento da queda.
Segundo a versão apresentada pela defesa, João havia deixado Isabelle no imóvel antes de sair para uma missa. A advogada também afirmou que o investigado havia comparecido voluntariamente à Polícia Civil, prestado depoimento e entregue o celular para perícia antes da prisão.
A afirmação sobre suicídio, porém, correspondia ao posicionamento da defesa e não deveria ser apresentada como conclusão independente sobre o caso. A investigação policial continuava analisando as circunstâncias da morte e a possível responsabilidade criminal de João. Após a repercussão da entrevista, Lígia reconheceu que a colocação foi inadequada e pediu desculpas à família de Isabelle.
O que disse a advogada sobre a morte de Isabelle
Além de contestar a prisão preventiva, a defensora negou que João tivesse induzido ou instigado Isabelle a tirar a própria vida. A defesa também rejeita a interpretação de que o relacionamento entre os dois fosse marcado por violência psicológica.
Lígia afirmou ainda que João estava abalado após a morte da jovem. Segundo a defensora, ele não teria condições de fazer contato diretamente com a família de Isabelle naquele momento, e o irmão dele teria sido responsável por enviar uma mensagem à mãe da estudante.
A versão apresentada pela defesa é contestada pela linha de investigação conduzida pela Polícia Civil. O caso é apurado pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), que reúne equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A investigação passou a considerar elementos relacionados ao relacionamento entre Isabelle e João e possíveis situações de violência psicológica. A defesa nega que esses elementos comprovem participação de João na morte da jovem.
João Munhoz está preso e é investigado pela morte da jovem
João Munhoz Neto foi preso preventivamente pela Polícia Civil na terça-feira (22), em Fortaleza. O pedido de prisão foi expedido pela Justiça, e o caso tramita sob sigilo. A decisão de manutenção da prisão foi confirmada após audiência de custódia realizada no dia seguinte.
A prisão ocorreu depois de João prestar depoimento à Polícia Civil. De acordo com a defesa, ele havia comparecido voluntariamente às autoridades na segunda-feira (21), entregado o celular e informado onde poderia ser localizado.
Após a prisão, o celular do investigado passou a ser analisado pela perícia. A Polícia Civil também trabalha com imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outros dispositivos eletrônicos recolhidos durante as diligências.
A Justiça manteve a prisão preventiva de João após a audiência de custódia. Por causa do segredo de Justiça, detalhes da decisão e de parte dos elementos que fundamentam a medida não foram divulgados publicamente.
O que a investigação apura no caso Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi, de 22 anos, morreu após a queda do 23º andar de um condomínio localizado na Aldeota, em Fortaleza. O corpo foi encontrado no pátio do prédio em 13 de setembro. Os exames periciais apontaram politraumatismo compatível com o impacto contra o solo, enquanto os exames laboratoriais não identificaram substâncias tóxicas. Esses resultados ajudam a estabelecer elementos médicos sobre a morte, mas a investigação também busca esclarecer as circunstâncias que antecederam a queda.
A apuração policial passou a reunir informações sobre o relacionamento entre Isabelle e João, além de mensagens, imagens e depoimentos. A Polícia Civil também informou que outras pessoas foram ouvidas e que novas diligências continuam sendo realizadas.
A investigação é conduzida sob perspectiva de gênero e reúne diferentes unidades especializadas da Polícia Civil. Até o momento, a defesa de João nega qualquer participação dele na morte e sustenta que Isabelle cometeu suicídio.
A diferença entre a versão da defesa e os elementos analisados pelas autoridades é central para o atual estágio do caso. A declaração de Lígia Peixe sobre suicídio foi apresentada como argumento da defesa, enquanto a investigação continua examinando as circunstâncias da morte e as possíveis condutas atribuídas a João.
Fonte: GCmais

