Apenas 1% dos contribuintes brasileiros declaram rendas acima de R$ 1,2 milhão
Apenas 1% do total de declarantes do Imposto de Renda Pessoa Física em 2026 recebe mais de R$ 1,2 milhão por ano, totalizando 448.671 pessoas, conforme dados divulgados pela Receita Federal neste sábado, 03/10/2026. A disparidade expõe a concentração de riqueza no Brasil, onde a vasta maioria da população vive com rendimentos significativamente menores.
O levantamento aponta que, até 26 de setembro de 2026, 42,07 milhões de pessoas prestaram contas ao fisco. Desse universo, 35,82 milhões de contribuintes — o equivalente a 85% do total — declararam rendas anuais de até R$ 200 mil. Outra parcela de 12% do público, correspondente a 4,99 milhões de pessoas, possui rendimentos anuais entre R$ 200 mil e R$ 600 mil, enquanto 811.745 indivíduos (2%) situam-se na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão.
Impacto na corrida eleitoral
Essa fotografia econômica serve de base para o debate entre os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As pesquisas de intenção de voto revelam uma correlação direta entre o nível de rendimentos e a preferência do eleitorado.
Segundo o Datafolha, em pesquisa divulgada na sexta-feira, 02/10/2026, Luiz Inácio Lula da Silva lidera entre os eleitores que ganham até 2 salários mínimos, com 50% das intenções de voto. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro apresenta desempenho superior nas faixas de renda mais elevadas, registrando 47% de apoio entre aqueles que ganham de 2 a 5 salários mínimos e também entre os que recebem acima de 5 salários mínimos.
O estudo do Datafolha foi conduzido entre 29 de setembro e 01/10/2026, ouvindo 2.506 pessoas em 152 municípios. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08039/2026, possui margem de erro de 2 pontos percentuais.
Propostas de governo
Os programas econômicos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral refletem visões distintas sobre a tributação. O plano de Luiz Inácio Lula da Silva foca na justiça tributária, utilizando a taxação de rendas mais altas para viabilizar a isenção do IR para quem recebe até R$ 5.000 — medida sancionada em novembro de 2025.
Já Flávio Bolsonaro defende a redução da carga tributária geral, com propostas que incluem a revisão do Imposto sobre Valor Agregado e a diminuição de impostos sobre o consumo, energia e combustíveis, sustentando que o ajuste fiscal deve ser pautado pela redução de despesas públicas.
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