Juros altos seguem como principal barreira para crédito na CNI
As taxas de juros elevadas permanecem como o maior entrave para o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro, conforme revelado em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta sexta-feira, 09/10/2026. A decisão de manter o custo do crédito em patamares restritivos impacta diretamente a capacidade das empresas de investir e manter suas operações funcionando com saúde financeira.
Entre as companhias que tentaram contratar ou renovar financiamentos de curto ou médio prazo, 76% indicaram que os juros são a barreira central. Para operações de longo prazo, esse índice chega a 68,9%. O cenário reflete a postura cautelosa do Banco Central, que, apesar de eventuais ajustes, mantém a Selic em um patamar que encarece o capital para quem movimenta a economia.
Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, explica que a demora na transmissão da queda dos juros para o mercado real sufoca o planejamento empresarial. "A Selic iniciou o ano em 15% e o Banco Central mantém uma postura cautelosa. É importante lembrar que a queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito", pontua a especialista.
O peso dessa realidade se traduz na precarização da gestão empresarial. Um dado alarmante é a utilização de crédito de longo prazo — destinado idealmente a investimentos em máquinas e expansão — para cobrir o capital de giro, prática citada por 28,7% das empresas. Esse movimento indica que os empresários estão sacrificando o futuro de suas estruturas para honrar pagamentos imediatos, como a folha de funcionários e insumos básicos.
Além do custo financeiro, as exigências de garantias reais (33,4%) e a burocracia também bloqueiam o acesso aos recursos, fragilizando a competitividade industrial no país.
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