Flávio Bolsonaro suspende diálogo sobre apoio a Ciro Gomes no Ceará em meio à crise no PL

Flávio Bolsonaro afirmou na última quarta-feira (8), em Brasília, que estão suspensas as conversas sobre um possível apoio ao nome de Ciro Gomes para o governo do Ceará nas eleições de 2026. A declaração do senador ocorre em meio a um cenário de tensão interna dentro do Partido Liberal (PL).

Resistência interna e divergências políticas travam articulação para 2026
Segundo o senador, não há previsão para a retomada do diálogo. Nos bastidores, a movimentação tem sido marcada por divergências dentro da sigla, especialmente pela resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se opõe à aproximação com Ciro. A possível aliança vinha sendo articulada como estratégia política no Ceará, mas acabou gerando desconforto entre integrantes da ala mais conservadora do partido.

O histórico de embates políticos entre o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e Ciro Gomes também contribui para o impasse. Aliados avaliam que a aproximação entre Flávio e o ex-ministro pode fragilizar a coesão interna do PL, dificultando a construção de um palanque unificado para o próximo ciclo eleitoral.

Senador também é alvo de protestos durante mobilização indígena em Brasília
Enquanto a crise política se desenrola, Flávio Bolsonaro também esteve no centro de outro episódio de repercussão nesta quarta-feira. Ao deixar o Congresso Nacional, o senador foi vaiado por manifestantes e confrontado por uma militante indígena, em meio a um protesto que reunia lideranças de diferentes regiões do país.

“Você não ama essa Terra, colonizador. Bate continência pros Estados Unidos”, afirmou a militante. Em resposta, o senador declarou: “Vou libertar os indígenas e vou governar para vocês também”. Durante o episódio, ele também ouviu gritos de “sem anistia” e, ao entrar no carro, fez um gesto de coração com a mão.

A manifestação fazia parte da mobilização em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a criação de um piso para a Assistência Social. O ato ocorre paralelamente à 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), considerado o maior encontro de povos indígenas do Brasil.

Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o evento deve reunir cerca de 200 povos indígenas, além de lideranças e representantes de organizações, com o objetivo de discutir direitos e pressionar os poderes públicos por políticas voltadas às populações originárias.

Apesar do clima de tensão, o senador também recebeu apoio de simpatizantes durante o episódio, com manifestações favoráveis e pedidos de fotos. Mais cedo, ele participou de um evento na sede do PL ao lado do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), após desentendimentos envolvendo o parlamentar e Eduardo Bolsonaro.

Fonte: GC+