Giordanna Mano: “Minha candidatura não está na mesa de negociação”

Quinta entrevistada pelo videocast Caráter, do O Estado, a presidente da Federação PRD-Solidariedade no Ceará, Giordanna Mano, conversou com as jornalistas Gabriela de Palhano e Kelly Hekally sobre sua gestão à frente da prefeitura de Nova Russas, cargo ao qual renunciou para se tornar pré-candidata à Câmara dos Deputados.

No diálogo, que vai ao ar nesta quinta-feira (18), no YouTube do jornal O Estado, Giordanna Mano falou sobre a expectativa de sua agremiação para a bancada de estaduais e federais, afirmou que não abrirá mão de sua candidatura à deputada federal para viabilizar eventuais negociações que envolvam o nome do esposo, Júnior Mano (PSB), ao pleito deste ano e comentou a relação entre o deputado federal e o senador Cid Gomes (PSB).

Caráter: Giordanna, qual é o seu caráter?
Giordanna Mano: Acho que o caráter não se fala em palavras, se fala em atitudes. Quem conhece a Giordanna Mano vai ter um histórico de uma pessoa que respeita as outras pessoas, que tem uma palavra, que cumpre e muita determinação no que faz e no que se propõe.

Caráter: Como você se coloca dentro desse perfil de novas lideranças?
GM: Acredito que Deus tem me colocado no momento certo em algumas situações. Na minha primeira eleição, em 2020, eu estava grávida, passei a campanha grávida e resolvi fazer, apesar de ser no período da covid, um plano de governo muito voltado para a escuta. Essa escuta é algo que o político precisa ter. Ele precisa estar mais próximo da população para escutar e sentir a dor. E, quando falo que Deus vai colocando as coisas na nossa vida, a experiência como prefeita me fez entender a importância de um deputado federal, uma deputada federal comprometida, que entenda de verdade as necessidades de um município pequeno do interior.

Caráter: Você é pré-candidata a deputada federal?
GM: Sou pré-candidata à deputada federal. Fui duas vezes prefeita de Nova Russas [de 2021 a 2026] e renunciei agora para ir para essa pré-candidatura. Eu quero ser uma representante que saiba exatamente as necessidades dos municípios. A experiência como prefeita me condicionou muito a isso e ao desejo de realizar.

Caráter: Quais foram os maiores desafios como gestora e quais são os desafios que você pretende enfrentar caso seja eleita?
GM: O maior desafio quando entrei na política foi pegar um município sem muita estrutura. Nova Russas, quando assumi, ia fazer 100 anos e ainda não tinha a estrutura necessária. Em quatro anos, nós asfaltamos e ligamos todos os distritos da sede aos distritos. Por quanto tempo aquilo ficou esperando essas políticas públicas ficaram esperando para chegar? Eu não culpo nenhum prefeito. Sempre gosto de ressaltar que o prefeito quer deixar um legado, quer fazer o melhor pelo município. Mas se você não tiver parcerias com o governo do estado e deputados comprometidos, você não consegue fazer acontecer.

Caráter: Como estão os ânimos da Federação PRD-Solidariedade para deputados federais?
GM: Nós tivemos muito cuidado em montar a chapa tanto de estadual como de federal. Vocês podem esperar do PRD e Solidariedade uma chapa com pré-candidatos comprometidos com o partido e com a população.

Caráter: Na expectativa de eleger quantos federais?
GM: Eu acredito que se faça dois deputados federais e um deputado estadual.

Caráter: Com a sua experiência como gestora em Nova Russas, caso seja eleita deputada federal, quais são suas propostas para a economia do Estado?
GM: O Ceará tem um grande potencial no turismo. E, quando a gente fala de turismo, não é só o turismo de praias. Nós temos turismo religioso, temos serras lindas e temos um sertão com grande potencial. A gente precisa potencializar cada região conforme o perfil dela. Nós sempre falamos das nossas belas praias, que realmente são maravilhosas e geram economia, emprego e renda, mas acredito que temos muito mais potencial.

Caráter: E naquela região de Nova Russas, o que pode ser feito?
GM: Antes de eu renunciar, deixamos o projeto do Santuário de Nossa Senhora das Graças. Ele vai ser uma grande referência e queremos potencializar o turismo religioso junto com o artesanato. Somos a capital do crochê e precisamos fortalecer esse artesanato junto com as pessoas que vão visitar a nossa cidade. A ideia é unir turismo religioso e artesanato nos sertões de Crateús. O  governador Elmano de Freitas (PT) deve ir nos próximos dias para assinatura da ordem de serviço.

Caráter: Houve uma “mudança de lado” do seu grupo político, que apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro e migrou para a base do presidente Lula. Por quê?
GM: Na realidade, a gente não mudou de lado. Nós éramos do PL, fomos eleitos pelo PL e depois veio a onda Bolsonaro. Ele era o presidente e mandou muitos recursos para o nosso município. Isso é inegável. Ele mandou muitos benefícios para lá. Mas também entendemos que ele teve erros de gestão, e isso nos fez enxergar uma outra perspectiva. Existe o histórico do presidente Lula no Ceará, principalmente com a população mais carente. Então nós não mudamos de lado. Nós sempre pensamos no que é melhor para o Ceará e para os municípios que nós representamos. O Governo do Estado também é um parceiro nosso e vem trabalhando junto. Cheguei a me filiar ao PSB e depois fui para o PRD por questões partidárias e de viabilidade da minha pré-candidatura. Não enxergo como uma mudança de lado. Enxergo como entender que o Ceará precisa de mais recursos e precisamos estar com quem quer ajudar os municípios.

Caráter: O senador Cid Gomes fala muito sobre cumprir compromissos. Como começou a aproximação do seu grupo político com ele?
GM: Na realidade, o Júnior Mano, como deputado federal, tinha uma ligação com o Cid em Brasília pelo trabalho. O Júnior foi coordenador da bancada federal e precisou, junto com os senadores, trabalhar na questão dos recursos. Ele teve uma postura muito justa naquele momento, porque nem todos queriam enviar recursos diretamente para o Governo do Estado, e o Júnior defendia um equilíbrio. Houve também o reconhecimento do trabalho que o Júnior Mano vem fazendo no Ceará. A liderança que ele vem mostrando, a parceria, a amizade e os recursos chegando aos municípios. O Cid tem uma característica de enxergar potencial político, e eu vejo nele uma pessoa sem vaidade. Ele não tem essa necessidade de dizer ‘eu mando, eu domino’. E isso combina com o perfil do Júnior. Acredito que os perfis combinaram.

Caráter:  A preço de hoje, Júnior Mano ainda é pré-candidato ao Senado?
GM: Ele é pré-candidato, mas não por imposição. O Júnior nunca impôs uma pré-candidatura. Ele fez o correto, colocou o nome dele à disposição a partir do momento em que recebeu o convite. Quem não gostaria de ter essa possibilidade de disputar? Mas o Júnior é muito da composição, muito do coletivo. Ele nunca vai impor um cargo. Nesse momento está sendo conversado com o senador Cid Gomes, com o governador Elmano [de Freitas – PT], com o senador Camilo [Santana – PT] e com o prefeito Evandro [Leitão – PT]. Eu acho que muitas vezes as pessoas querem criar uma tensão nessa candidatura, como se houvesse uma briga ou um veto. Pelo contrário. Tudo tem seu tempo.

Caráter: No meio dessa construção existe alguma possibilidade, por exemplo, de você ser primeira suplente do Cid levando PRD e Solidariedade?
GM: Na realidade, eu sou muito focada no projeto que construí para minha pré-candidatura à deputada federal. Quando resolvi renunciar à prefeitura de Nova Russas, porque eu poderia estar confortável no meu mandato, foi para uma missão. Foi para estar mais próxima dos municípios e ajudar da forma que entendo que é o papel de uma deputada federal. Então, pode existir possibilidade de outras pessoas fazerem essa composição, mas a minha pré-candidatura à deputada federal continua. Eu não vou me desviar desse projeto para outro cargo.

Caráter: Quando você fala outros cargos que já foram cogitados, você fala de Assembleia, Senado?
GM: Surgem convites, surgem cogitações, e a gente fica feliz com isso. Mas a minha candidatura não está na mesa de negociação. Não é todo mundo que é lembrado para estar ao lado de grandes líderes políticos. Eu me considero nova ainda na política, estou na segunda gestão, então fico honrada quando ventilam meu nome. Mas meu projeto continua sendo a pré-candidatura de deputada federal.

Caráter: Qual a sua avaliação sobre os efeitos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o significado para o nosso Estado?
Giordanna Mano: Eu sou de Jaguaruana, do interior. Vim para Fortaleza com 10 anos de idade para estudar. Essa é uma característica muito forte de quem é do interior: muitas vezes precisa sair da sua cidade ou até do estado para buscar oportunidades. O cearense também tinha essa realidade de precisar sair para estudar no ITA, mudar de estado. Ter o ITA aqui é um ganho gigantesco para o nosso Ceará, para nossa educação e para os estudantes que muitas vezes não têm condição financeira de se manter fora. Muitos perderam oportunidades por não conseguirem se manter longe de casa. A gente sempre via nos outdoors de Fortaleza os alunos do Ceará passando no ITA. Agora isso vai se concretizar aqui, com esses estudantes podendo estudar perto da família. Daqui do Ceará já saíram grandes profissionais e agora eles poderão estudar aqui.

Fonte: O Estado CE