Lula reforça Elmano, Cid e Luizianne e tenta impedir voto casado com Ciro no Ceará

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, nesta sexta-feira (21), a candidatura do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição no Ceará. Em vídeo publicado nas redes sociais de Elmano, o presidente pediu que seus eleitores associem o voto para presidente ao nome de Elmano para o Governo do Ceará e aos candidatos Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) para o Senado.

A manifestação ocorre em meio à disputa pelo eleitorado que declara intenção de votar em Lula para a Presidência, mas pode escolher outro candidato na eleição para o Governo do Ceará. O movimento ganhou força após aliados de Ciro Gomes (PSDB) defenderem publicamente a possibilidade de combinar os votos no tucano e no petista.

A peça divulgada por Lula evidencia um desafio eleitoral para o grupo governista: reforçar a associação entre Lula e Elmano e evitar que o eleitor identifique o presidente com candidaturas diferentes na disputa estadual.

“Quem vota em mim para presidente, vota no Elmano para governador. Quem vota no Elmano para governador, vota na Luizianne para o Senado. Quem vota no Elmano para governador, em mim para presidente, na Luizianne para o Senado, vota no Cid para senador. Quem vota no Cid, vota na Luizianne e vota em mim, vota no Elmano para governador. Isso para o Ceará continuar melhorando, para o Ceará continuar avançando”, afirma Lula no vídeo.

Ciro tenta atrair eleitor de Lula
A estratégia de Ciro passa, entre outros pontos, pela tentativa de não limitar sua candidatura ao eleitorado identificado com a direita. O tucano conta com alianças com partidos como PL e União Brasil, mas seus aliados também defendem a separação entre as disputas estadual e nacional.

O deputado federal Mauro Filho (União Brasil), coordenador do plano de governo de Ciro, declarou apoio a Lula para presidente e a Ciro para governador. Em entrevista recente, ele defendeu explicitamente que eleitores de diferentes campos políticos possam apoiar o tucano no Ceará. Mas há reação. O deputado foi desligado da vice-presidência do Governo Federal na Câmara nesta semana. Mauro atribui a decisão à influência do senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT).

A decisão foi oficializada por meio de mensagem presidencial publicada no Diário Oficial da União. Mauro havia retornado ao posto em julho, depois de ter sido afastado anteriormente. Ele permanece como coordenador do plano de governo de Ciro e mantém a declaração de apoio à reeleição de Lula. A Presidência da República não informou oficialmente o motivo do novo desligamento. O episódio, porém, ocorre no contexto da disputa eleitoral no Ceará e da atuação de Mauro na campanha de Ciro.

Ivo Gomes reforça estratégia com Ciro e Lula
Outro episódio que chamou atenção foi protagonizado pelo ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB), irmão de Ciro e Cid Gomes.

Ivo declarou apoio a Ciro para o Governo do Ceará e a Lula para a Presidência. Nas redes sociais, publicou uma imagem produzida por inteligência artificial em que os dois aparecem de mãos dadas, acompanhada da frase “Lula lá, Ciro cá”. A manifestação reforçou a estratégia de separar as disputas estadual e nacional e associar Ciro ao eleitorado que pretende votar em Lula. Ivo Gomes atualmente ocupa o cargo de assessor-chefe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Disputa pelo voto de Lula
O cenário é relevante porque Lula mantém forte presença eleitoral no Ceará. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto apontou 55% das intenções de voto para Lula no Estado, contra 26% de Flávio Bolsonaro (PL). No mesmo levantamento, Ciro apareceu com 52% na disputa pelo Governo do Ceará, enquanto Elmano marcou 33%.

A associação entre Lula e Elmano é um dos principais elementos da estratégia petista no Ceará. Pesquisa Quaest divulgada no fim de julho mostrou que 51% dos eleitores cearenses identificavam Elmano como o candidato apoiado por Lula para o Governo do Estado. Do outro lado, aliados de Ciro buscam apresentar a candidatura tucana como uma alternativa que também pode receber votos de eleitores de Lula. O movimento cria um cenário de disputa não apenas pelo voto para governador, mas também pela associação da imagem do presidente às candidaturas estaduais.

Fonte: Opinião CE