Pesquisa aponta nível preocupante de adolescentes brasileiros com problemas na saúde mental

Divulgados nesta quarta-feira (25/03), dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acendem um alerta para a saúde mental de adolescentes no País e reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas a esse público. Levantamentos baseados na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que acompanha estudantes de 13 a 17 anos, apontam um cenário considerado preocupante por especialistas: cerca de 20% dos adolescentes brasileiros entre 10 e 19 anos convivem com algum tipo de transtorno mental.

Entre os problemas, destacam-se nos relatos dos adolescentes consultados a ansiedade e a depressão. A pesquisa também revela que esse quadro se intensifica justamente na fase da adolescência, período marcado por mudanças físicas, emocionais e sociais. Entre os indicadores mais preocupantes está o aumento de sintomas relacionados à ansiedade.

Dados da Rede de Atenção Psicossocial mostram que, em 2023, a taxa de atendimento por ansiedade chegou a 157 casos a cada 100 mil adolescentes, superando índices registrados entre adultos. Além disso, os jovens também apresentam taxas elevadas de internação por transtornos mentais, especialmente entre aqueles na faixa dos 20 aos 29 anos.

Alertas de cuidado – saúde mental
Outro dado relevante diz respeito às diferenças de gênero. As meninas aparecem como as mais afetadas em diversos indicadores emocionais. Segundo o IBGE, quase 30% das adolescentes já relataram sentir que “a vida não vale a pena”, um percentual mais que o dobro do observado entre os meninos.

Ainda segundo o estudo, as causas desse cenário são múltiplas:

pressão social e acadêmica (âmbito estudantil);
uso excessivo de redes sociais;
episódios de bullying e violência;
insegurança familiar e econômica;
abuso de álcool e outras drogas.
Dados do próprio IBGE mostram, por exemplo, que 13,2% dos adolescentes já se sentiram humilhados ou ameaçados em redes sociais, o que impacta diretamente o bem-estar emocional.

Agravantes

Além disso, há um fator crítico: muitos desses jovens não recebem acompanhamento adequado. Mesmo diante do aumento de casos, parte significativa não consegue acesso a atendimento psicológico ou psiquiátrico, principalmente em regiões mais vulneráveis.

Diante desse cenário, surge a necessidade de ações preventivas e integradas:

fortalecimento do acompanhamento psicológico nas escolas;
ampliação da rede pública de saúde mental;
campanhas de conscientização sobre o tema;
incentivo ao diálogo dentro das famílias;
controle do uso excessivo de telas e redes sociais.
Auxílio

A pesquisa também reforça e lista os principais canais para os que buscam ajuda, auxílio e apoio no fortalecimento da saúde mental:

Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).
O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente através do número 188.

Fonte: ANC