PF faz buscas contra senador Ciro Nogueira em operação do caso Master

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional relacionados ao antigo Banco Master, mirando o senador Ciro Nogueira. O parlamentar, que é presidente nacional do PP, está entre os principais alvos da nova etapa.

Policiais cumprem 10 mandados nesta quinta-feira (7)
Ao todo, os agentes federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em endereços localizados no Distrito Federal, Piauí, São Paulo e Minas Gerais. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

A operação também determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados. Segundo a PF, a nova fase busca aprofundar as apurações sobre um suposto esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central das investigações relacionadas ao Banco Master.

De acordo com os investigadores da PF, Ciro Nogueira teria sido beneficiário de vantagens econômicas supostamente oferecidas por Vorcaro em troca de atuação política favorável aos interesses do grupo financeiro. A PF afirma que as suspeitas vão além de uma relação pessoal ou institucional e indicam possível utilização do mandato parlamentar em benefício privado.

Entre os elementos citados pela investigação estão pagamentos mensais que teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente alcançado R$ 500 mil. Os investigadores apontam ainda indícios de repasses em espécie, custeio de despesas pessoais, hospedagens internacionais, uso de imóveis de alto padrão e deslocamentos em viagens ao exterior.

Outro ponto analisado pela PF envolve a compra de participação societária em uma empresa ligada ao banqueiro. Segundo os investigadores, ações avaliadas em aproximadamente R$ 13 milhões teriam sido adquiridas por R$ 1 milhão, o que levantou suspeitas sobre possível favorecimento financeiro.

Ações da PF contra Ciro Nogueira apuram crimes financeiros ligados ao caso Master; entenda
As apurações também citam a apresentação de uma proposta legislativa relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A medida previa ampliar a cobertura do fundo de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante e teria sido apelidada nos bastidores do mercado financeiro de “emenda Master”. Segundo a decisão judicial, documentos apreendidos indicariam que o texto teria sido elaborado por integrantes ligados ao banco antes de ser encaminhado ao Senado.

Em mensagens obtidas pela investigação, Daniel Vorcaro teria afirmado que a proposta “saiu exatamente como mandei”, frase que passou a integrar os elementos analisados pela PF. A corporação afirma ainda que houve movimentações para evitar associação direta entre documentos de interesse do banco e o gabinete parlamentar.

Além do senador, o irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, também foi alvo da operação. O STF determinou que ele utilize tornozeleira eletrônica, entregue o passaporte e fique proibido de manter contato com outros investigados. Outro alvo submetido ao monitoramento eletrônico foi Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, apontado como operador financeiro.

Já Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente. Conforme a PF, ele atuaria como operador financeiro do grupo investigado e seria responsável por intermediar movimentações financeiras e societárias ligadas ao esquema apurado.

A decisão do ministro André Mendonça também proibiu Ciro Nogueira de manter contato com investigados e testemunhas do caso. O senador, no entanto, não foi alvo de prisão nem de monitoramento eletrônico.

Empresas investigadas na nova operação sobre o caso Master
Quatro empresas ligadas aos investigados tiveram atividades suspensas por determinação judicial: CNLF Empreendimentos, BRGD S.A., Green Investimentos e Green Energia FIP.

Daniel Vorcaro permanece preso em Brasília e negocia um possível acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. A proposta apresentada pela defesa começou a ser analisada nos últimos dias.

A Operação Compliance Zero já teve outras fases realizadas ao longo dos últimos meses e mira supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.

Fonte: GCmais