Justiça relaxa prisão de suspeito de envolvimento em sessão de tortura em Cascavel
Um homem de 26 anos, identificado como Nadison Miranda Santos, foi posto em liberdade após passar por audiência de custódia na sexta-feira, 06/11/2026, no 7º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, na Comarca de Maracanaú. A decisão judicial ocorreu depois que o magistrado responsável considerou que não havia elementos suficientes para validar a prisão em flagrante, efetuada anteriormente pela Delegacia de Cascavel, sob a acusação de envolvimento em um 'tribunal do crime' que resultou na mutilação de uma vítima no mês de junho.
O caso, que choca pela crueldade, teve início no bairro da Caponga, quando a vítima, um homem de 31 anos, foi abordada por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Sob a alegação de que o homem teria furtado uma bicicleta, contrariando as regras do grupo, o indivíduo foi submetido a uma sessão de tortura. Segundo o inquérito, o suspeito teria sido responsável por filmar as agressões físicas, executadas com pedaços de pau contendo pregos.
Após ser abandonada gravemente ferida, a vítima buscou atendimento em uma UPA, mas a gravidade das lesões exigiu transferência urgente para o Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza. Devido a complicações e infecções causadas pelos ferimentos, o homem precisou ser colocado em coma induzido e teve o braço direito amputado, uma marca indelével de uma violência que destrói não apenas o corpo, mas a dignidade e a autonomia do indivíduo.
A autoridade policial havia efetuado a prisão de Nadison Miranda Santos argumentando a permanência do crime de integrar organização criminosa. Contudo, o juízo fundamentou o relaxamento da detenção na ausência de provas de que o suspeito estivesse em flagrante delito no momento da captura, conforme previsto no Código de Processo Penal. A decisão não encerra o caso, pois a investigação conduzida pela Delegacia de Cascavel segue em curso para responsabilizar todos os envolvidos na tortura.
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