Monitor da USP e ONG têm autorização negada pelo GSI para contabilizar ato pró-Lula na Avenida Paulista
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) negou ao Monitor do Debate Político no Meio Digital (USP/Cebrap) e à ONG More in Common Brazil a permissão para realizar a contagem técnica de público durante a manifestação de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida na Avenida Paulista, em 11/10/2026. A decisão, que inviabiliza a coleta de dados independentes sobre o evento, levanta questionamentos sobre a transparência no acesso a espaços públicos ocupados por atos políticos.
O impedimento da utilização de drones de pesquisa marca o terceiro episódio de restrição enfrentado pelo coletivo acadêmico nas eleições deste ano. O grupo já havia sido barrado no lançamento da campanha em São Bernardo do Campo, em 16/08/2026, e em um ato realizado na Rua Augusta, em 03/10/2026. A neutralização sistemática desses levantamentos impacta a capacidade da sociedade civil em acessar métricas plurais sobre a dimensão das mobilizações.
Em nota oficial, o Monitor do Debate Político e a More in Common Brazil destacaram a contradição entre a proibição imposta aos pesquisadores e a circulação de imagens aéreas de divulgação produzidas por outros meios durante o mesmo evento. O grupo ressaltou que a recusa, diante de um histórico de trabalho reconhecido, deixa de ter um caráter puramente técnico e assume uma natureza de escolha deliberada da gestão de segurança.
O GSI justificou a medida citando um protocolo rigoroso contra a operação de drones não autorizados, informando que mais de 135 mil aparelhos foram neutralizados entre 2023 e o início de 2026 por razões de proteção à autoridade. Contudo, a metodologia do Monitor, que utiliza fotos aéreas em 90 graus processadas por software especializado, permanece como uma das ferramentas mais precisas para a análise de eventos de massa.
Apesar dos obstáculos, o grupo científico reafirmou que manterá a solicitação de autorizações para os próximos atos até o fim do segundo turno. Os pesquisadores frisaram que o mesmo rigor metodológico é aplicado em eventos do candidato de oposição Flávio Bolsonaro (PL), reforçando que a neutralidade no acompanhamento estatístico é essencial para o debate democrático e a conferência de dados informados pelos diferentes campos políticos.
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