Senado Federal inicia debates sobre o fim da escala 6x1 com esvaziamento da oposição
O Senado Federal deu início, nesta terça-feira, 06/10/2026, à discussão da PEC (proposta de emenda à Constituição) que visa extinguir a jornada de trabalho 6x1. A abertura do ciclo de cinco sessões obrigatórias de debate foi marcada pelo distanciamento da bancada do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ), enquanto aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizaram o plenário da Casa para pressionar pela celeridade da medida, que promete impactar diretamente a qualidade de vida e a dignidade de milhões de trabalhadores brasileiros.
A sessão começou com o registro de 47 parlamentares, sem qualquer representante do PL. Apenas ao longo do dia, membros da legenda como Efraim Filho (PB), Izalci Lucas (DF), Eduardo Gomes (TO), Magno Malta (ES), Wilder Morais (GO) e Marcio Bittar (AC) formalizaram presença. O senador Paulo Paim (PT-RS) foi um dos protagonistas do debate, defendendo que a mudança é urgente para garantir que o cidadão tenha tempo de convivência com sua família e descanso digno fora do ambiente laboral.
Do ponto de vista técnico, o rito legislativo exige a realização de mais quatro sessões de discussão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assegurou que o processo seguirá as normas regimentais. A expectativa é que o primeiro turno de votação ocorra em 15 de outubro de 2026. Para a promulgação, a proposta necessita de 49 votos favoráveis em dois turnos.
Sobre o cronograma, ainda pairam dúvidas quanto ao segundo turno. Enquanto o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-BA), apontou um possível compromisso para concluir a votação antes das eleições de 25 de outubro de 2026, Davi Alcolumbre (União-AP) não confirmou a celeridade absoluta, deixando em aberto a possibilidade de conclusão para após o pleito.
O debate político também se intensificou fora do plenário. O senador Jaques Wagner (PT-BA) reforçou a cobrança de um posicionamento claro de Flávio Bolsonaro, enquanto a oposição, através de Rogério Marinho (PL-RN), defende um texto alternativo que flexibilize a jornada com redução proporcional de salários mediante negociação coletiva. A PEC, que propõe uma transição de 14 meses para a jornada de 40 horas semanais, segue como um dos temas de maior impacto social na pauta do Legislativo.
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