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Sábado, 03 de outubro de 2026

Santa Casa de Misericórdia de Sobral: 95 anos de história, cuidado e amor

Idealizada e inaugurada pelo primeiro bispo da diocese de Sobral, Dom José Tupinambá da Frota, a Santa Casa de Misericórdia de Sobral (SCMS) abriu suas portas na manhã do dia 24 de maio de 1925. “Enorme multidão aguardava a chegada do bispo da cidade, e do Senador João Thomé de Saboya, que desatou os laços de fitas verde e amarela, que ligavam o portão de ferro da entrada, penetrando logo após o edifício, ornado a capricho pelas beneméritas Filhas de Sant’Ana”, enfatizava o nobre jornal Correio da Semana em 27 de maio daquele ano. 95 anos depois, a obra da misericórdia continua sendo referência para a cidade e toda região norte do estado do Ceará, prestando assistência em saúde a estimadas 1,8 milhão de pessoas.

De acordo com o atual bispo de Sobral e provedor do Complexo SCMS, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, foi com júbilo e alegria que se deu a inauguração do hospital: “Há 95 anos, no dia dedicado a Nossa Senhora Auxiliadora, se realizava o sonho de Dom José em acolher os enfermos, em prestar um serviço social a uma população tão carente daquela época. Como visionário que era, construiu uma edificação magnífica, numa rua que mais tarde receberia o seu nome; construiu a Santa Casa em uma extremidade e na outra extremidade o Seminário Diocesano, onde hoje funciona a UVA (Universidade Estadual Vale do Acaraú). Há cinco anos estava chegando à Diocese de Sobral e rendi graças pelos 90 anos da Santa Casa, cinco anos já se passaram, e a importância e o legado da instituição para Sobral e região solidifica-se cada vez mais”, enfatiza.

Fases

A Santa Casa de Misericórdia de Sobral é referência em assistência e formação em saúde para a população da região norte do Estado do Ceará. Sua história de 95 anos pode ser dividida em quatro fases: Misericórdia, Tecnologia, Ensino e Gestão. Segundo o diretor-geral do Complexo SCMS, Klebson Carvalho Soares, “A primeira fase, representada pela Misericórdia, é caracterizada pelo protagonismo de Dom José Tupinambá da Frota com a inauguração da instituição. A 2ª fase, sendo Tecnologia, foi marcada pelo espírito empreendedor de Dom Walfrido Teixeira Vieira, que modernizou o Serviço de diagnóstico com a tomografia e a aquisição da Bomba de Cobalto, que possibilitou avanços significativos no tratamento oncológico”, destaca.

A fase do Ensino foi desenvolvida pela visão de educador de Dom Aldo Di Cillo Pagotto, que buscou parcerias com universidades para a formação dos profissionais da área de saúde, transformando a Santa Casa em Hospital de Ensino. De acordo com Klebson Carvalho, a 4ª fase é representada pela Gestão, e é a que o hospital vive atualmente: “A liderança e os conceitos administrativos de Dom Vasconcelos são as gêneses do processo de profissionalização da gestão, alicerçados nos pilares de qualidade, humanização, segurança e sustentabilidade”, explica.

Qualidade em assistência

A Santa Casa realiza atendimentos clínico-cirúrgicos e procedimentos que necessitam de alta tecnologia, como neurocirurgia, neurorradiologia intervencionista, oncologia, cirurgia e hemodinâmica cardiovascular, terapia intensiva, terapia renal substitutiva e transplante de córneas. A instituição oferece desde sua fundação auxílio espiritual cristão, por meio das Religiosas Filhas de Sant’Ana a todos que necessitam de atenção hospitalar.

Hospital de Ensino

De acordo com o diretor do Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão (DEPE) da instituição, Vicente de Paulo Teixeira Pinto, o desafio iniciado por Dom José resultou na construção do maior hospital filantrópico do norte nordeste do país: “A Santa Casa exerce com primazia a formação de profissionais da saúde. Certificada como hospital de ensino pelos ministérios da Educação e Saúde desde 2007, desenvolve parcerias no processo de formação de 10 profissões da saúde, nove programas de residência médica, sendo os primeiros implantados no interior do Ceará, e outros dois programas de residência multiprofissional”, ressalta.

O Complexo

O enorme dever com a saúde das pessoas, presentes na missão da Santa Casa desde sua fundação, se desenvolveu e garantiu mais oportunidades de atenção e cuidado à população. Das inúmeras necessidades que surgiram no hospital, nasceram unidades, o Abrigo Sagrado Coração de Jesus, o Hospital do Coração, a Clínica Dom Odelir, o Hospital Dom Walfrido e visando mais formas de colaboração com nossas despesas surge também o Visconde Hotel e Restaurante, formando o Complexo SCMS.

Neste contexto comemorativo, o diretor-geral do Complexo SCMS, Klebson carvalho, agradece a todos os colaboradores e parceiros que fizeram e fazem parte da história da Santa Casa na missão de salvar vidas: “Nascemos de ideais cristãos e há 95 anos trabalhamos com cuidado, com amor, com a vontade de fazer o bem. Somos todos Santa Casa de Misericórdia de Sobral”, enfatiza.

Personagens

Lembranças de desenvolvimento

José Henrique Gurgel, 68, é médico da Santa Casa há 40 anos. Admitido em dezembro de 1980, observou e colaborou com várias mudanças no processo de desenvolvimento do hospital: “Fui convidado em 1980 pelo Pe. José Linhares para abrir uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), até então não tinha essa estrutura na instituição; , em outubro daquele ano inauguramos a UTI que temos hoje. Foi um desafio grande, pois não tínhamos um corpo de médicos intensivistas e uma equipe de enfermagem. Fui treinando intensivistas e enfermeiras. Apesar de não termos meios de ganhar novos conhecimentos de atualizações na medicina, foquei na UTI, e começaram a  aparecer as bombas de infusão, respiradores, fui aperfeiçoando as técnicas de tratamento intensivo. Ao longo dos anos o hospital foi se desenvolvendo também na cardiologia, com a criação do Hospital do Coração, na hemodiálise, com a chegada dos nefrologistas e na neurologia, pois os neurocirurgiões também deram um upgrade na UTI”, lembra o médico.

A chegada dos estudantes no hospital, também marca as lembranças de Dr. Henrique: “Há uns 15 ou 20 anos apareceu a Faculdade de Medicina, e os alunos foram se aperfeiçoando com seus internatos. Foi criada também a residência médica e até hoje estamos orientando, sempre buscando atualizações científicas para colaborarmos ainda mais com a saúde de Sobral e região”, destaca.

Como uma Mãe que acolhe

Maria Sílvia Júlio, 59, é técnica em Enfermagem da Santa Casa há mais de 40 anos. Atualmente exerce sua função no setor de Pediatria, mas lembra de por onde já esteve ao longo dos anos: “Passei um ano nas clínicas, e mais de 12 anos na UTI Adulto”. Sempre admirada com a procura e capacidade de acolhimento do hospital filantrópico, enxerga nas mudanças, a constante busca pela saúde e bem-estar do próximo: “Mudanças na estrutura, aumento de leitos, setores e quadro de funcionários. Em termos de atendimento, veio a informática, e o hospital se modernizou. Hoje somos também  um hospital escola, que é referência pela dedicação, amor, competência dos funcionários.  A Santa Casa é importante porque é como se fosse uma mãe, quem chega é bem acolhido por médicos e uma equipe de enfermagem bem preparada”, destaca.

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