Tarifaço: Brasil reclama de tratamento discriminatório em reunião com os EUA

Um novo capítulo da tensão entre Brasil e Estados Unidos em torno das tarifas impostas por Washington ocorreu nesta segunda-feira (31). Autoridades brasileiras manifestaram sua insatisfação com as medidas, afirmando que são discriminatórias e incompatíveis com as regras internacionais de comércio.

A posição foi apresentada pelos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, realizada no início da tarde.

Em nota conjunta, os ministérios consideraram injusto o tratamento dado ao nosso país e disseram que as justificativas apresentadas nas investigações americanas não correspondem às efetivas práticas brasileiras. Apesar das divergências, os dois países decidiram manter as negociações.

“Uma vez mais, [os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa] indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos, nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”, destacaram os dois ministérios em nota conjunta.

O governo brasileiro afirmou que continuará buscando “um acordo equilibrado e mutuamente benéfico” com os Estados Unidos, com respeito ao diálogo e à soberania nacional. Reuniões técnicas serão realizadas nas próximas semanas, virtuais ou presenciais, seguidas de novo encontro ministerial para avaliar os avanços.

Entenda
No último dia 21 de agosto, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone. Na ocasião, o chefe do Executivo brasileiro voltou a contestar as tarifas. O líder americano, então, propôs a retomada das negociações.

O Brasil está sujeito a uma tarifa adicional de 25% aplicada especificamente pelos Estado Unidos e a outra sobretaxa de 12,5%, justificada por Washington por questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

A primeira medida foi baseada em investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas comerciais desleais do Brasil, em temas como pagamentos eletrônicos (Pix) e acesso ao mercado de etanol. O governo brasileiro rejeita os argumentos e considera a medida injustificada.

Fonte: Opinião CE