Apostas ilegais proliferam no Telegram mesmo após proibição de Lula
Apesar da proibição estabelecida pelo governo federal, canais no Telegram continuam a disseminar anúncios de jogos de azar e plataformas de apostas não autorizadas no Brasil. A persistência desses conteúdos expõe milhares de brasileiros a prejuízos financeiros e fraudes, mesmo após o vencimento do prazo para que empresas operassem regularmente no mercado nacional.
Em levantamento realizado em 08/11/2026, a reportagem identificou seis canais ativos que, somados, reúnem mais de 43 mil inscritos. A estratégia dos operadores envolve o uso frequente de novos links e domínios alternativos para evitar bloqueios. Além disso, relatos apontam que usuários têm sido adicionados automaticamente a esses grupos sem consentimento prévio, prática que fere a privacidade e a segurança digital dos cidadãos.
O impacto dessas operações é direto sobre o bolso dos apostadores. Diferente das plataformas reguladas, que possuíam obrigações de transparência, os sites clandestinos frequentemente dificultam ou impedem o saque dos prêmios, deixando os usuários sem garantias. Em casos extremos, marcas já autorizadas no passado têm sido alvo de clonagem de identidade visual por criminosos para dar uma falsa aparência de legitimidade aos sites ilegais.
Desde a edição da medida provisória pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda tem intensificado o monitoramento. Até o momento, mais de 47 mil endereços foram bloqueados em parceria com provedores de internet. No entanto, a fiscalização enfrenta desafios técnicos devido à velocidade com que novos grupos surgem e à ausência de mecanismos automáticos de remoção por parte das plataformas de mensageria.
A proibição, estabelecida em setembro de 2026, é uma medida temporária que ainda aguarda análise do Congresso Nacional. O texto veta a promoção de apostas de quota fixa e cassinos online. Caso não seja ratificada pelo Legislativo até o início de março de 2027, a norma perderá a validade jurídica. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) avalia a constitucionalidade dessas restrições, sob relatoria do ministro Luiz Fux, mantendo o setor em um cenário de incertezas jurídicas e alta fiscalização.
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