A prisão de um terceiro cearense na Bolívia em menos de cinco dias ampliou as investigações sobre a atuação internacional de facções criminosas ligadas ao Ceará. O suspeito, de 23 anos, foi capturado na cidade boliviana de Cojiba durante uma ação integrada entre forças policiais brasileiras e bolivianas. Segundo o Governo do Ceará, ele é investigado por participação em crimes cometidos em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.
O anúncio foi feito pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, na noite da última quinta-feira (14). O nome do suspeito não foi divulgado pelas autoridades. A nova captura ocorre poucos dias após a prisão de outros dois cearenses na Bolívia. Eles são apontados pelas investigações como integrantes de uma estrutura criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e suspeitos de atuar no envio de armas para cidades cearenses.
“A ação contou com a parceria da Polícia Civil do Acre e da Polícia da Bolívia. Outras duas pessoas já haviam sido presas nesta semana naquele país. Parabéns aos nossos policiais civis e a todos os envolvidos em mais esta operação internacional”, disse o governador, em publicação.
Terceira prisão de cearense na Bolívia amplia investigação sobre facções
De acordo com o Governo do Ceará, a captura mais recente contou com apoio da Polícia Civil do Acre e da polícia boliviana. O homem preso é apontado como integrante de um grupo criminoso responsável por diversos delitos em Caucaia.
Nos últimos anos, a Região Metropolitana de Fortaleza passou a concentrar disputas entre facções rivais, cenário que intensificou operações policiais e ações de inteligência em diferentes municípios cearenses. Com a nova prisão, sobe para três o número de cearenses localizados e capturados na Bolívia em menos de uma semana. O dado reforça a suspeita das autoridades de que integrantes de facções estejam utilizando países vizinhos como base de apoio, rota logística e esconderijo para criminosos foragidos.
Dupla capturada em Santa Cruz é investigada por envio de armas ao Ceará
Os outros dois presos foram identificados como Felipe Anderson Pinho de Sousa, conhecido como “Felipe Pacote”, de 32 anos, e Gleison Gomes de Oliveira, o “Zé Caboclo”, de 30 anos. Segundo a Polícia Federal, os dois atuavam na segurança de integrantes ligados ao narcotraficante uruguaio Sebastian Marset, investigado internacionalmente por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Marset foi preso em março deste ano na Bolívia.
Felipe e Gleison foram encontrados em uma chácara em Santa Cruz de La Sierra. Durante a operação, as forças de segurança apreenderam um arsenal com 21 armas, incluindo 15 fuzis, além de pistolas e carabinas. Também foram encontrados fardamentos da polícia boliviana, drogas, cerca de 150 mil dólares em espécie, veículos e aparelhos celulares. Dois bolivianos acabaram presos na mesma ação.
As investigações apontam que a dupla era responsável pelo envio de armamentos para municípios cearenses, principalmente na Região Norte do estado. Entre as cidades mencionadas pelas autoridades estão Itapipoca, Ibiapina, Tianguá, Meruoca, Itapajé, Sobral, Trairi, Tauá e Guaramiranga, além de bairros de Fortaleza.
Arsenal, dólares e fardas policiais foram apreendidos na operação
O volume de armas apreendido chamou a atenção das forças de segurança pela capacidade de abastecimento de grupos criminosos no Ceará. As investigações indicam que os suspeitos atuavam no fortalecimento logístico de facções criminosas, facilitando o acesso a armamentos de alto poder ofensivo.
Felipe Anderson já possuía antecedentes por homicídio, associação criminosa, tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ele também tinha um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça do Ceará. As autoridades afirmam ainda que Felipe teria rompido a tornozeleira eletrônica antes de fugir do país no início deste ano.
Forças do Brasil e da Bolívia atuaram juntas nas capturas
A operação envolveu a atuação conjunta das polícias Civil e Militar do Ceará, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco/CE), da Polícia Federal e da polícia boliviana. O secretário da Segurança Pública do Ceará, Roberto Sá, afirmou que o trabalho de inteligência vinha monitorando os investigados há meses. Já o superintendente da Polícia Federal no Ceará, Antônio Simões Franco, destacou que a troca de informações entre órgãos brasileiros e bolivianos foi fundamental para localizar os suspeitos.
“Ela só foi possível por conta de várias engrenagens que trabalharam juntas e culminaram no resultado almejado. […] Cada entidade tem uma informação e cabe a Ficco fazer a interligação dessas informações, através da Polícia Federal, que faz a articulação internacional, permitindo que uma força policial de outro país cumpra diligências de entidade brasileira”, destacou Franco.
Investigações apontam influência criminosa em cidades cearenses
As capturas reforçam o movimento das forças de segurança para desarticular facções criminosas com atuação interestadual e internacional. Além do tráfico de armas, os investigados também são ligados a crimes como homicídios, associação criminosa e tráfico de drogas. As autoridades agora tentam aprofundar as investigações para identificar outros envolvidos no esquema e rastrear possíveis conexões entre criminosos foragidos, fornecedores de armas e facções atuantes no Ceará.
Fonte: GCmais

