Menino de 9 anos morre após buscar atendimento médico pela 7ª vez
João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morreu na madrugada desta terça-feira (7), em Campo Grande (MS)Idas e vindas de UPA e hospital
Uma sequência de atendimentos médicos marcou os últimos dias de vida da criança em Campo Grande. Veja abaixo, em ordem cronológica, como foram as idas às unidades de saúde, conforme informado pelos familiares à polícia:
– Quinta-feira (2 de abril) – Após cair e bater o joelho enquanto brincava, o menino foi levado à UPA Tiradentes. No local, passou por consulta e realizou exame de raio-X. Sem lesões aparentes, foi liberada com prescrição de dipirona e ibuprofeno;
– Sexta-feira (3 de abril) – Como o quadro não apresentou melhora, a criança foi levada ao IPA Universitário. Após nova avaliação médica, recebeu a mesma medicação e foi novamente liberada;
– Sábado (4 de abril) – A família procurou atendimento na UPA Universitário. A criança foi medicada com uma injeção e se queixava de dores no peito. Segundo relato, a situação foi tratada como ansiedade, e o menino foi liberado;
– Domingo (5 de abril), à tarde – A criança retornou à UPA Universitário, onde permaneceu em observação. Um novo exame de raio-X identificou uma lesão na perna, na região do joelho. A orientação foi procurar a Santa Casa no dia seguinte para imobilização;
– Segunda-feira (6 de abril) – Já na Santa Casa, a criança teve a perna esquerda imobilizada com uma tala e foi liberada;
– Noite de segunda-feira (6 de abril), à noite – Em casa, a criança passou mal, desmaiou e chegou a ficar com coloração roxa. Ela foi levada desacordada à UPA Universitário, onde foi reanimada e entubada;
– Morte na madrugada da terça-feira (7) – Em seguida, foi transferida para a Santa Casa, mas não resistiu. O óbito foi confirmado às 1h05., depois de buscar atendimento médico sete vezes em duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e na Santa Casa da capital. Segundo a família, no último atendimento, passaram cerca de 30 minutos entre a chegada ao hospital e a confirmação da morte.
O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) apuram se houve falha ou negligência nos atendimentos prestados à criança.
“Foi agravando, foi piorando”, disse ao g1 o cunhado da vítima, Michael Petrovich de Souza.
De acordo com o cunhado da vítima, os sintomas de João pioraram ao longo dos dias.
Michael contou que João reclamava de dor no peito e que, na noite de segunda-feira (6), o quadro piorou rapidamente.
O menino foi levado às pressas para a UPA Universitário e, em seguida, encaminhado para a Santa Casa.
“Chegando na Santa Casa, foi questão de meia hora… e já veio a notícia que ele tinha falecido”, disse o cunhado.
Após o registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil solicitou exame necroscópico. O caso deve ser encaminhado para a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
A delegacia especializada deve analisar a sequência de atendimentos nas unidades de saúde e apurar se houve negligência.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que o caso está sendo apurado com base em prontuários e registros médicos. Veja a nota na íntegra:
“A Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso está sendo investigado, esclarece ainda que as informações estão sendo devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas.”
O g1 também procurou a Santa Casa, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Fonte: G1

