O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) reagiu às declarações do senador Cid Gomes (PSB), que o chamou de “pai do André” ao comentar possíveis candidaturas ao Senado Federal no Ceará. A resposta foi divulgada em vídeo ao lado do deputado federal André Fernandes (PL), filho de Alcides.
Fala de Cid Gomes sobre Alcides e André Fernandes tem como contexto a disputa para o Senado
Durante fala recente sobre o cenário eleitoral de 2026, Cid citou a possível composição de uma chapa de oposição: “Se o Ciro for candidato a governador, ele vai ter, na chapa dele, dois candidatos ao Senado. Eu acho até que já sei quem são. Deve ser o Wagner e o pai do André. Pai do André. Ninguém sabe nem quem é.”
Após a declaração, Alcides rebateu o senador:
“É, Cid. Eu tenho muito orgulho de ser pai do André. O filho que eu criei. É melhor ser o pai do André do que o senador que acobertou o Bebeto Choró, faccionado e foragido. É melhor ser o pai do André do que o cara que foi delatado por Joesley Batista, que disse que te pagou 20 milhões de reais em propina. É melhor ser o pai do André do que o cara que pegou uma retroescavadeira pra atropelar policiais.”
Após a fala de Alcides, André Fernandes também comentou a possível candidatura do pai ao Senado. “E deixa eu falar uma coisa. Esse cara que tá aqui do meu lado, que eu tenho muito orgulho de chamar de pai, será o melhor senador da história do Ceará. Diferente de você, Cid Gomes, que teve oito anos pra fazer algo pelo Ceará e não fez. Pode ter certeza”, disse ele.
Contexto das declarações de Alcides Fernandes sobre Cid Gomes
Joesley Batista, em delação, afirmou que Cid recebeu R$ 20 milhões em propina da JBS. Na época, em nota, Cid Gomes disse que repudia o relato e nega o ocorrido. “Nunca recebi um centavo da JBS. Todo o meu patrimônio, depois de 34 anos trabalhando, é de 782 mil reais (IRPF2016), tendo sido duas vezes deputado, duas vezes prefeito e duas vezes governador”, afirmou.
Alcides fez referência também ao caso da retroescavadeira, em Sobral, em fevereiro de 2020. Na ocasião, Cid usou uma retroescavadeira para tentar romper um bloqueio feito por policiais militares que faziam um motim em frente a um batalhão da PM.
O senador havia organizado um protesto contra os policiais amotinados, que reivindicavam aumento salarial e ocupavam o 3º Batalhão da PM. Diante do bloqueio, Cid Gomes, utilizando um megafone, deu um ultimato de cinco minutos para que os amotinados deixassem o local. Após o tempo estipulado, Cid Gomes avançou com a retroescavadeira contra o portão do quartel, momento em que foi atingido por disparos de arma de fogo. O senador foi ferido na região torácica e precisou de atendimento hospitalar, mas sobreviveu ao incidente.
Conforme a Constituição Federal de 1988, policiais militares não podem fazer greve no Brasil, uma vez que militares são proibidos expressamente de fazer greve. A proibição está fundamentada no artigo 142, § 3º, inciso IV, da Constituição Federal, que é aplicado aos policiais militares por força do artigo 42, § 1º. Como o serviço de segurança pública é considerado uma atividade essencial e inadiável para a manutenção da ordem e proteção da sociedade, o ordenamento jurídico brasileiro prioriza o interesse público sobre o direito de mobilização da categoria.
Cid diz que “ninguém sabe quem é” Alcides
O senador Cid Gomes (PSB) se referiu ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pré-candidato ao Senado, como o “pai do André”, pontuando que “ninguém sabe nem quem é”.
Alcides, que se elegeu para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) em 2022, seguiu o caminho oposto do que costumam fazer os candidatos parentes de políticos no Brasil: seguiu os passos do filho, que à época já tinha mandato — em vez de o filho seguir os passos do pai, ao entrar na política. André Fernandes (PL) se elegeu deputado ainda em 2018, junto a outros apoiadores de Jair Bolsonaro (PL).
A fala de Cid acontece em meio a especulações sobre a formação da chapa governista para o Senado Federal. Enquanto no grupo de oposição os nomes se encaminham, no lado da base ambas as indicações seguem amplamente em aberto, sendo o próprio Cid um dos nomes cogitados.
Recentemente, o pessebsita mudou a linha de discurso que vinha adotando sobre as eleições deste ano e admitiu publicamente que poderá ser candidato. Em vídeo divulgado nas redes sociais, durante a filiação ao PSB de Manoela Pimenta, ex-superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Ceará, ele citou que essa é uma possibilidade.
“Eu não sei se sou candidato, mas largar a política, não largarei jamais”, diz ele, no vídeo, enquanto dá boas-vindas à nova correligionária, que saiu do PSD para integrar a sigla do senador. A fala contrasta com o tom que Cid vinha usando, ao longo dos últimos meses, sobre a candidatura ao Senado: até então, ele era enfático ao defender o nome do deputado federal Júnior Mano (PSB) para a disputa.
Entre a base aliada, diversos parlamentares e prefeitos seguiram defendendo que um dos candidatos ao Senado representando o grupo deve ser Cid Gomes — que é, efetivamente, um dos principais líderes políticos do grupo que dá sustentação à base do governador Elmano de Freitas (PT).
Senado é tema de articulação intensa na base
As indicações da base governista para as candidaturas a senador vêm sendo assunto de intensas articulações em diversos partidos, com nomes do PT, PSB, MDB e ainda outras legendas disputando espaço para se cacifar às vagas. Este ano, dois terços do Senado são eleitos, com duas vagas de senador em cada estado, ampliando o campo de disputa nas unidades federativas. A perspectiva é de que os governistas lancem dois nomes à casa legislativa, um de cada partido.
Em meio a isso, Cid saiu fortalecido da janela partidária deste ano, com sucessivas filiações de lideranças políticas ao PSB, partido do senador. Idilvan Alencar e Robério Monteiro deixaram o PDT para entrar na sigla, além de Leônidas Cristino, suplente em exercício de mandato, que também deixou o PDT. Já Leonardo Pinheiro, deputado estadual, oficializou filiação ao PSB em outra ocasião, em ato com presença de Cid. Lucílvio Girão, também estadual, é outro que esteve de entrada na legenda.
Fonte: GCmais

