Senado aprova fim da escala 6x1 e gera alerta sobre custos operacionais
O Senado aprovou, por 75 votos a 1, em dois turnos, a PEC que extingue a escala de trabalho 6x1 e determina a redução da jornada laboral semanal de 44 para 40 horas, mantendo a integridade dos salários atuais. A decisão, consolidada em 15 de outubro de 2026, visa garantir maior tempo de descanso aos trabalhadores, mas impõe desafios imediatos para a estrutura produtiva do país.
Para o trabalhador, a medida representa um ganho direto na qualidade de vida e na convivência familiar. No entanto, especialistas alertam que a transição exige cautela, dado que o impacto na produtividade e na gestão dos custos operacionais pode afetar a estabilidade dos empregos a médio prazo.
Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, pontua que a mudança cria gargalos especialmente em setores dependentes de mão de obra intensiva. "Se você estiver em um setor com escassez de profissionais, a redução da carga horária amplifica esse problema", explica o especialista. Como resposta, projeta-se um aumento no investimento em automação, como o uso de tecnologias de atendimento, embora essa saída não seja viável para todos os portes de negócio.
O cenário econômico aponta ainda para riscos de repasse inflacionário. Segundo o pesquisador, o encarecimento dos serviços pode pressionar o Banco Central a manter as taxas de juros em patamares elevados por mais tempo, interrompendo um possível ciclo de queda. A ausência de medidas compensatórias ou desonerações tributárias — historicamente comuns em transições trabalhistas — acentua a preocupação do setor produtivo, que deve buscar junto ao Congresso formas de mitigar os custos adicionais.
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