Estados Unidos ameaçam Irã com sanções mais severas da história

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o país imporá ao Irã as sanções mais severas da história. Na avaliação dele, a medida reduziria a necessidade de novas operações militares de grande porte.

As declarações de Scott Bessent ocorreram após a ameaça do presidente Donald Trump, um dia antes, de promover uma guerra econômica. O republicano também alertou sobre consequências para países que forneçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã.

Mais detalhes sobre as ameaças feitas por Donald Trump, segundo Bessent, serão divulgados na próxima semana.

PRESSÃO ECONÔMICA
Os preços do petróleo subiram na quinta-feira (20) para o maior nível em mais de três semanas. A alta ocorreu após as ameaças dos Estados Unidos de aplicar penalidades financeiras para tentar encerrar uma guerra de quase seis meses, que deixou milhões de barris do Oriente Médio retidos.

“Não sei ao certo por que o petróleo reagiu a isso. Se estamos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala”, disse Scott Bessent.

Milhares de pessoas morreram no conflito, que envolveu países do Golfo Pérsico e abalou os mercados.

O Irã demonstrou capacidade de restringir o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, via navegável que transportava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado antes de fevereiro.

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho. As medidas tinham o objetivo de restaurar o livre fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz como um passo para o fim do conflito, mas ambos os acordos fracassaram rapidamente.

SANÇÕES
O Irã tem resistido a sanções econômicas severas e quase contínuas há quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.

Antes da declaração de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que condenava as sanções econômicas e comerciais dos Estados Unidos.

A pasta classificou as medidas como terrorismo econômico, que não criaria nem mesmo a menor hesitação na determinação dos iranianos de salvaguardar a independência, a dignidade e a soberania do país.

“Tenha em mente que os chineses obtêm 50% de sua energia do Golfo. Portanto, seria um grande favor para eles aderirem ao programa”, frisou Scott Bessent.

A embaixada da China em Washington afirmou que sanções e pressão não ajudam a resolver o problema.

“A China exorta as partes envolvidas a adotarem medidas responsáveis e a resolverem a questão por meios políticos e diplomáticos”, disse um porta-voz da embaixada.

AMEAÇA DE TRUMP
Em mensagem nas redes sociais na quarta-feira (19), o presidente Donald Trump prometeu guerra econômica e isolamento em uma escala sem precedentes.

O presidente não especificou quais medidas concretas os Estados Unidos tomariam nem citou nenhum país. A advertência, porém, parece se estender aos aliados dos Estados Unidos que ajudaram a mediar as negociações de paz.

O presidente norte-americano, no entanto, está sob pressão interna para encerrar a guerra impopular. Os altos preços dos combustíveis prejudicam seus índices de aprovação e ameaçam potencialmente o controle de seu partido sobre o Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.

“Qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, consequências econômicas tremendas”, escreveu Trump.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou os comentários de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública norte-americana dos problemas financeiros internos. Entre os problemas citados estão a dívida recorde e o aumento das taxas de juros.

A insistência de Washington em políticas que descreveu como fracassadas, segundo Araqchi, traria mais fracassos e afastaria os iranianos.

As ameaças e os anúncios de Trump nas redes sociais nem sempre são colocados em prática exatamente como foram escritos.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Opinião CE