Litoral oeste do Ceará avança na proteção das áreas de desova de tartarugas marinhas

temporada de desova de tartarugas marinhas ainda está em andamento, mas os dados preliminares indicam um cenário promissor. Até o fim de março, já foram registrados 113 ninhos no litoral oeste do Ceará, mais precisamente em Camocim e Barroquinha.

A bióloga Kesley Paiva explica que a temporada teve início em dezembro de 2025 e deve encerrar em agosto de 2026. “Ainda temos alguns meses de monitoramento e os números são animadores. Estamos na metade da temporada e já próximos do resultado de ninhos registrados no ano passado. Há grande chance de alcançarmos um novo recorde, afirma a bióloga.

Na temporada de 2025, o FaunaMar registrou 120 ninhos e acompanhou 13.327 filhotes até o mar, um recorde para a região. Segundo Kesley, o resultado reflete o fortalecimento das ações em campo e o engajamento das comunidades locais. “Esse avanço só foi possível com a ampliação dos esforços e com a ampliação da rede de colaboradores, que contribuem com informações e na proteção dos ninhos”, destaca.

O Projeto FaunaMar realiza o monitoramento de praias no litoral oeste do Ceará há 13 anos, com o objetivo de gerar dados científicos sobre tartarugas marinhas, com atuação concentrada nos municípios de Camocim e Barroquinha. De acordo com o projeto, os dados da atual temporada, aliados às temporadas anteriores, mostram que a área é utilizada por esses animais com frequência e também podem indicar um processo de repovoamento dessas áreas pelas tartarugas marinhas. “As fêmeas que aqui nasceram há cerca de 30 ou 40 anos estão retornando para completar seu ciclo de vida e é fundamental proteger os animais e as áreas utilizadas”, cita Kesley.

Em 2025, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto deu um passo importante na proteção dos espécimes e suas áreas de nidificação, com o monitoramento sistemático das praias de desova e ampliação das ações de sensibilização junto
à sociedade.

De acordo com Kesley Paiva, o resultado alcançado é reflexo do reforço das atividades em campo, sendo fundamental para compreender o uso dessas áreas pelas tartarugas. “Temos registrado novas áreas de desova, confirmado a presença de três das cinco espécies que ocorrem no Brasil e, a cada temporada, avançamos no conhecimento sobre a distribuição dessas
ocorrências entre os municípios”, explica.

O monitoramento contínuo é fundamental para subsidiar a implementação de medidas mitigadoras voltadas à proteção de fêmeas e filhotes. Os dados científicos gerados pelo projeto contribuem diretamente para o diálogo com os órgãos e para o aprimoramento das estratégias de conservação. “Nós acreditamos que a união entre os órgãos competentes, a pesquisa científica e
o engajamento das comunidades são caminhos essenciais para garantir a conservação das espécies no litoral cearense”, finaliza Kesley.

A temporada de desova na região ocorre entre dezembro e agosto do ano seguinte, com a presença de três das cinco espécies registradas no Brasil: a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), a tartaruga-verde (Chelonia mydas) e a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea).