Mendonça retira sigilo apenas de parte das investigações sobre caso Master

O ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de 15 procedimentos relacionados às investigações sobre o Banco Master que estão sob sua relatoria. A decisão, assinada na noite desta quinta-feira (10), atende a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que havia solicitado a publicidade dos processos, ressalvadas diligências cujo sigilo seja considerado imprescindível.

Entretanto, parte das investigações não tiveram o sigilo derrubado. Entre elas estão as investigações sobre o filme Dark Horse e a relação entre o senador Jaques Wagner e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.

Entre os procedimentos que tiveram o acesso liberado está a Pet 15.556, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Mendonça também levantou o sigilo de outros 14 processos relacionados ao caso, entre eles os Inqs 5.026 e 5.035.

“Em harmonia à solicitação formulada pelo eminente Presidente, Ministro Edson Fachin, promovo o levantamento do sigilo dos autos da PET nº 15.556 e dos procedimentos contidos ou relacionados”, afirmou Mendonça na decisão.

Pedido de Fachin
Horas antes da decisão, Fachin havia solicitado a Mendonça que retirasse o sigilo dos procedimentos relacionados ao Banco Master. A orientação foi pela publicidade dos autos, com exceção das diligências para as quais a manutenção da reserva seja imprescindível.

Mendonça também deverá encaminhar o material, em HD próprio, ao gabinete da presidência do STF e aos demais ministros da Corte.

Mensagens de Vorcaro
Na semana passada, Mendonça já havia retirado o sigilo de relatório da Polícia Federal que reúne mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e atribuídas a conversas com o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o relatório, foram identificadas 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a um número que a PF atribuiu a Moraes. Os registros abrangem o período de 28 de outubro a 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso pela primeira vez.

Mendonça também solicitou manifestação da PGR sobre o material. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou a existência de nulidades na condução do procedimento. Segundo ele, Mendonça não poderia ter determinado diretamente à PF o aprofundamento de apurações envolvendo outro ministro do Supremo sem autorização do plenário da Corte ou iniciativa do Ministério Público.

Dark Horse
O filme “Dark Horse” ganhou notoriedade após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de conversas entre o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, em que o filho de Jair solicita recursos para financiar a produção cinematográfica.

O banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos.

O banqueiro Daniel Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do filme, via fundo nos Estados Unidos.

Segundo o site “The Intercept Brasil”, Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção sobre Jair Bolsonaro.

  • R$ 75,1 milhões – valor que a produtora diz ter gasto;
  • R$ 61 milhões – valores que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos EUA;
  • R$ 134 milhões – valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes de Vorcaro ser preso;
  • R$ 108 milhões – valor do contrato entre ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de SP para instalação de wi-fi na capital paulista. Contrato é investigado pelo MP e Polícia Civil.

Jaques e Master
Sobre a relação do senador Jaques Wagner com sócio de Daniel Vorcaro, os investigadores identificaram 74 ligações telefônicas entre Wagner e o banqueiro Augusto Lima, que também é investigado por supostas fraudes financeiras.

A PF aponta que Jaques Wagner atuou em defesa de interesses do Banco Master no Congresso e, em troca, recebeu vantagens indevidas — como um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar.

A crise no STF
A crise no STF envolvendo Mendonça e Moraes começou a partir de decisões nas investigações sobre o Banco Master. Envolveu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.

Antes da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master.

Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia orientado Andrei Rodrigues a procurar o ministro para discutir a relação entre a PF e o gabinete do relator.

Fonte: Opinião CE