Crise diplomática entre Brasil e Argentina escala após denúncias sobre fuga de Flávio
A suposta cooperação do governo da Argentina para viabilizar a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após a derrota no processo eleitoral, elevou ao limite a tensão diplomática entre as duas nações. A controvérsia, revelada nos dias que sucederam o pleito, torna cada vez mais distante qualquer possibilidade de normalização nas relações bilaterais entre Brasília e Buenos Aires.
O senador deixou o país após o resultado das eleições presidenciais, que confirmaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora tenha sido alvo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a retenção de seus passaportes sob risco de fuga, Flávio ignorou a medida e deixou o Brasil cerca de dois dias após o pleito, utilizando um passaporte italiano.
A investigação aponta que o deslocamento, que incluiu passagens pela Argentina e Equador antes do destino final nos Estados Unidos, teria contado com auxílio logístico de figuras próximas ao presidente Javier Milei, incluindo o assessor Santiago Caputo. A aeronave utilizada pertenceria à empresa Baires Fly S.A., entidade que já é objeto de escrutínio por conexões com familiares do mandatário argentino.
Diante do cenário, o Palácio Itamaraty adotou um posicionamento firme e convocou a ministra-conselheira Emilia Cortés, responsável pela Embaixada da Argentina em Brasília, para prestar esclarecimentos formais. A audiência, ocorrida em 29 de outubro de 2026, buscou respostas sobre uma movimentação atípica registrada na representação diplomática entre a madrugada de 26 de outubro e 27 de outubro de 2026.
Em paralelo, a deputada argentina Marcela Marina Pagano acionou a Justiça Federal de Puerto Iguazú questionando o envolvimento de autoridades locais no episódio. A parlamentar sustenta que existe uma pressão política do governo Milei sobre funcionários públicos da província de Misiones para evitar a divulgação de provas. Diante da resistência interna, Pagano buscou cooperação junto à Justiça do Brasil para elucidar as circunstâncias da passagem de Flávio pelo território argentino.
A crise representa o ápice de um desgaste que se arrasta desde julho, quando Javier Milei utilizou palanques em São Paulo para desferir ataques pessoais a Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, o líder argentino permanece como o único chefe de Estado da América do Sul a não reconhecer oficialmente o resultado das eleições brasileiras de 2026.
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