O PT e o PSB pretendem compor um “blocão” de candidatos a deputados estadual nesta eleição, que pode eleger até 30 membros para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) na próxima legislatura. A definição foi tratada na última terça-feira (17) em uma reunião convocada pelo presidente Romeu Aldigueri (PSB), da qual participaram deputados no exercício do mandato e pré-candidatos.
“Reunião das bancadas do PSB e PT do Ceará. Momento de alinhamento estratégico para garantir que o nosso Ceará continue avançando”, escreveu Romeu em publicação nas redes sociais. Conforme a reportagem apurou, a ideia é priorizar esses dois partidos na montagem de chapa para deputado estadual, de modo a lançar dois “chapões”, com a meta de que cada um eleja entre 13 e 15 parlamentares.
PT e PSB já têm as maiores bancadas da Alece, atualmente cada um com dez deputados no exercício do mandato. Os dois partidos vêm trabalhando com metas semelhantes para este ano: eleger cerca de 13 deputados estaduais e em torno de cinco deputados federais. No caso do PT, o partido está em uma federação com PCdoB e PV.
A nova estratégia favorece os partidos do governador Elmano de Freitas (PT) e do senador Cid Gomes (PSB), enquanto que pode diminuir o tamanho de siglas menores que estão na base do governo estadual.
Segundo Guilherme Bismarck (PSB), que esteve presente na reunião, o argumento para essa estratégia está nas atuais regras da legislação eleitoral. “A cláusula de barreira vai priorizar as grandes agremiações, ou seja, a gente tem buscado que PT e PSB se juntem em um grande blocão para poder fazer uma grande bancada. A expectativa é chegar a 30 vagas diretas se fizermos o blocão. Se for um chapão desse, a gente consegue ter êxito nas eleições”, falou o deputado a O Estado nessa quarta-feira (18).
A definição ocorre em meio à janela partidária, período que vai até 3 de abril, quando deputados estaduais e federais ficam livres para mudar de partido sem risco de perda do mandato. Nesse contexto, PT e PSB buscam evitar perder deputados para outras siglas, mesmo as aliadas.
Devido às regras da eleição proporcional, ser eleito deputado por um desses partidos pode ser mais difícil porque exige mais votos. Assim, alguns pré-candidatos, incluindo deputados em busca da reeleição, podem preferir concorrer por siglas mais viáveis eleitoralmente.
Os partidos estão buscando um modo de contornar essa situação, segundo Missias Dias (PT), líder do bloco PT/PCdoB/PSD/Avante na Alece. “Hoje em toda avaliação que fazemos ninguém quer vir para PT e PSB porque estão dizendo que são partidos onde não se viabilizariam, porque o corte vai ser de 50 a 60 mil votos. Nós estamos montando uma estratégia para que possa caber todo mundo nesses blocões”, falou Missias.
ACORDO PARA DAR ESPAÇO A SUPLENTES
Outra definição anunciada na reunião foi um acordo para viabilizar que suplentes exerçam os mandatos com o deslocamento de deputados estaduais eleitos para secretarias no Governo do Estado e na Prefeitura de Fortaleza, contando com a reeleição de Elmano. Essa informação foi revelada a O Estado por um dos deputados que esteve na reunião, mas que preferiu falar ‘em off’.
O acordo já teve o aval do governador Elmano de Freitas e do prefeito Evandro Leitão (PT) e ainda conta com o compromisso de deputados eleitos em tirar licenças dos mandatos, em um rodízio que pode permitir que até dez suplentes, cinco de PT e cinco de PSB, assumam o mandato durante os quatro anos da legislatura. A estratégia visa tornar os partidos ainda mais atrativos aos pré-candidatos.
“Três (deputados) de cada partido vão ser secretários, dois no Estado e um na Prefeitura. E outros eleitos farão um rodízio para que os suplentes assumam os quatro anos. Assim, cinco suplentes de cada lado vão assumir os quatro anos direto”, falou a fonte.
Fonte: O Estado CE

