Estudo do Einstein Hospital Israelita aponta fatores de risco para morte por dengue grave
Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores identificou os principais indicadores clínicos que elevam o risco de óbito em pacientes acometidos por dengue grave. A decisão de publicar os resultados, concluída e divulgada neste sábado, 17/10/2026, visa orientar protocolos de triagem para salvar vidas em unidades de terapia intensiva. O estudo foi conduzido por especialistas do Einstein Hospital Israelita, do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), da Epimed Solutions, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidad Autónoma de Chile e da Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal.
Publicada no periódico científico Journal of Critical Care, a investigação analisou mais de 40 mil internações entre 2015 e 2024. Ao cruzar dados do registro UTIs Brasileiras e do DATASUS, o levantamento revelou que a idade avançada, a fragilidade prévia e o comprometimento circulatório são determinantes críticos para o desfecho clínico. A análise demonstra que a fragilidade, por si só, eleva o índice de mortalidade para 17%.
O impacto da decisão médica inicial é evidente no manejo da pressão arterial. Entre os pacientes que necessitaram de medicamentos vasopressores logo nas primeiras 24 horas de internação na UTI, a mortalidade atingiu 55,4%. Este dado reforça que a resposta inflamatória intensa provocada pela dengue grave exige intervenção precoce para evitar o choque e a disfunção múltipla de órgãos.
Os autores do trabalho enfatizam que a identificação de pacientes vulneráveis — especialmente idosos e pessoas com doenças crônicas — é a chave para otimizar os fluxos de atendimento. A pesquisa ressalta, contudo, que os achados representam associações clínicas e não estabelecem, por si sós, uma relação direta de causalidade entre o suporte intensivo e o óbito, servindo principalmente como ferramenta de estratificação de risco para as equipes de saúde.
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