Estudo liga sintomas da Covid longa a alterações na dopamina cerebral
A busca por respostas sobre os sintomas persistentes da Covid-19 ganhou um novo horizonte científico. Uma pesquisa publicada na revista eBioMedicine, em 10 de outubro de 2026, sugere que a fadiga crônica, a lentidão motora e as falhas de memória que afetam pacientes meses ou anos após a infecção inicial podem estar ligadas a alterações no sistema de dopamina do cérebro.
O estudo, que comparou exames de neuroimagem de adultos com Covid longa e pessoas saudáveis, revelou uma redução de até 20% em um marcador associado à integridade das terminações nervosas dopaminérgicas. A descoberta é relevante pois a dopamina é fundamental para circuitos cerebrais que regulam a motivação, o movimento e a cognição.
Segundo Rodrigo Bressan, psiquiatra, neurocientista e professor livre-docente da Unifesp, além de PhD e professor visitante do King’s College London, o achado confere plausibilidade biológica aos sintomas relatados pelos pacientes. No entanto, o especialista pondera que o estudo aponta uma associação e não uma causa definitiva, reforçando que a natureza exata desse comprometimento ainda precisa ser esclarecida.
O pesquisador Jeffrey Meyer, coautor do trabalho, observou que os níveis reduzidos do marcador VMAT2 se correlacionam diretamente com manifestações como a apatia, que muitos pacientes descrevem como uma exaustão extrema. A investigação destaca que não se pode afirmar, até o momento, que houve perda de neurônios, visto que a redução pode refletir apenas alterações nas vesículas que armazenam o neurotransmissor.
É importante ressaltar que os resultados não podem ser generalizados para todos os quadros de Covid longa. A amostra focou em indivíduos com sintomas neuropsiquiátricos persistentes. Atualmente, não há protocolos médicos ou medicamentos dopaminérgicos indicados para o tratamento da condição. A equipe de cientistas prepara agora ensaios clínicos randomizados para verificar se a intervenção nesse sistema pode aliviar o sofrimento de quem convive com as sequelas da doença.
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