Ir para o conteúdo
Sua nota tem valor  (topo) Publicidade
Sábado, 17 de outubro de 2026

Cortes em benefícios sociais podem retrair economia de cidades do interior

A retração severa na atividade econômica de municípios brasileiros fora das regiões metropolitanas poderá ser desencadeada pela estagnação ou cortes no valor de benefícios sociais e previdenciários, conforme detalhado em levantamento divulgado nesta sábado, 17/10/2026, pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

O estudo analisa como aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) funcionam como motores do desenvolvimento local. Para Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP, esses recursos são fundamentais porque circulam imediatamente no comércio de proximidade, sustentando empregos e a própria arrecadação municipal. Em cidades menores, a relevância é crítica: os benefícios podem compor até 50% do orçamento de famílias de baixa renda.

A pesquisa compara o cenário de crescimento real observado entre 2022 e 2025 com uma simulação de congelamento, similar ao período de 2019 a 2022. Os dados projetam que, sem a valorização real, a renda agregada do interior poderia sofrer uma retração entre 6,8% e 10,8%. O impacto seria sentido de forma desigual pelo país: estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí poderiam enfrentar quedas de renda na casa dos 17% a 18%.

Para além da economia, o estudo enfatiza o risco social. A ausência de reajustes adequados teria potencial para empurrar 2,7 milhões de pessoas para a pobreza, sendo 2,4 milhões diretamente para a linha de extrema pobreza. Bahia, São Paulo e Minas Gerais aparecem como os estados com maior contingente populacional vulnerável nessa simulação.

Luiza Nassif reitera que manter o poder de compra dessas transferências não é apenas uma estratégia de desenvolvimento regional, mas a garantia básica de dignidade. A manutenção dos benefícios protege o consumo interno e evita uma reação em cadeia que atingiria inclusive famílias que não dependem diretamente de assistência pública.

Leia também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000