Reforma tributária ameaça elevar imposto de carga expressa a 117%
O setor de transporte internacional de cargas expressas projeta uma elevação na carga tributária que pode alcançar 117% com a implementação da reforma tributária. A definição da alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em 11,3%, fixada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), impacta diretamente a estrutura de custos do segmento e acende um alerta sobre o futuro dos preços ao consumidor final.
O cenário foi detalhado nesta sexta-feira, 06/11/2026, por Lara Gurgel, diretora-executiva da Abraec (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas). Segundo a executiva, o percentual estipulado superou as expectativas do mercado, que trabalhava com estimativas alinhadas à tributação de PIS/Cofins, situada entre 9% e 9,25%.
O impacto financeiro é expressivo: enquanto a carga total poderá atingir 108% após a implementação plena da reforma, o período de transição, que ainda acumula a cobrança de ICMS, pode elevar essa cifra a 117%. Para o cidadão comum, isso significa, na prática, um possível encarecimento dos serviços de importação, uma vez que as margens operacionais do setor não comportam absorver integralmente o aumento da tributação.
Diante do impasse, a Abraec busca diálogo com o governo federal. Uma das frentes de negociação envolve a revisão da incidência da CBS sobre as operações de carga expressa, argumentando que o setor não recolhe PIS/Cofins atualmente. Adicionalmente, discute-se a redução da alíquota sobre o Imposto de Importação para compras acima de US$ 50, visando mitigar os custos antes do início da transição, previsto para janeiro de 2027.
A decisão final sobre eventuais ajustes nas alíquotas de importação permanece sob análise técnica, dependendo de futuras deliberações da Receita Federal ou do Ministério da Fazenda para oferecer alívio ao setor e aos consumidores.
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