Summit Brazil 2026 reúne especialistas contra a exploração sexual infantil
Especialistas, sobreviventes e representantes de governos do Brasil, Índia, Nepal e Países Baixos definiram estratégias conjuntas para combater o tráfico humano e a exploração sexual infantil nesta terça-feira, 03/11/2026, em Fortaleza. O encontro, realizado durante o Summit Brazil 2026 — International School for Justice Summit, da ONG Free a Girl, busca integrar metodologias globais e fortalecer a rede de proteção às vítimas.
A diretora geral da Free a Girl, Kelly Schut, enfatizou a importância de incluir quem vivenciou tais crimes na construção das soluções. Segundo a especialista, dados globais apontam que 1,7 milhão de crianças são traficadas ou exploradas sexualmente por ano, enquanto 300 milhões sofrem abusos no ambiente virtual — porta de entrada para a exploração física. “É fundamental que as vozes dessas crianças sejam ouvidas e que elas façam parte da solução”, afirmou Schut.
O programa Escola de Justiça, originado na Índia em 2019 e estabelecido no Brasil em 2022, centraliza o conhecimento prático de sobreviventes para capacitar agentes públicos. Tacília Dantas, assistente social e coordenadora do programa, ressalta que o Brasil enfrenta um desafio crítico de subnotificação, agravado pela invisibilidade social da exploração sexual em comparação ao abuso infantil. Em Fortaleza, a vulnerabilidade é acentuada pelo papel do aeroporto internacional como ponto de escoamento para o tráfico humano rumo à Europa.
Thaís Oliveira Guimarães, enfermeira e integrante do programa desde 2022, transformou sua trajetória de superação em liderança preventiva. Ela observa que a exploração migrou das ruas para o ambiente digital, tornando-se mais oculta e complexa. Atualmente, o programa já atendeu 22 mulheres, inserindo-as no ensino superior, e beneficiou mais de 3.000 jovens por meio de ações educativas locais.
O coordenador articular da Free a Girl no Brasil, Elísio Celestino, reforça que a articulação internacional é indispensável diante da estruturação transnacional das redes criminosas. O trabalho foca na emancipação das vítimas, tornando-as agentes de transformação em seus territórios.
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