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Terça-feira, 03 de novembro de 2026

Tradição e memória marcam preparativos para o Dia dos Finados em Fortaleza

Famílias cearenses ocupam cemitérios de Fortaleza para realizar a limpeza de túmulos, substituição de flores e orações em homenagem aos que já partiram. A mobilização, que ganha força no sábado, 31 de outubro de 2026, reafirma rituais de afeto que atravessam gerações, mantendo viva a memória de parentes sepultados em locais como o Cemitério Parque da Paz e o cemitério São João Batista.

No tradicional cemitério São João Batista, no Centro, o cuidado com as lápides é um ofício que se mistura à própria trajetória de vida de trabalhadores locais. Francisca Pereira Lima, conhecida como “Chica Loura”, dedica-se à zeladoria do espaço há 46 anos. Para ela, o período que antecede o 2 de novembro é um dos mais significativos, embora observe mudanças no fluxo de visitantes ao longo das décadas.

No Passaré, a florista Jéssika Queiroz mantém ativa a banca herdada de sua avó, falecida há 13 anos. A atividade vai além da subsistência; tornou-se um ponto de conexão emocional. “A gente vem mesmo porque ela era o sangue dela isso”, relata Jéssika, que encontra na venda de flores uma forma de honrar o legado familiar, mesmo diante da oscilação nas vendas que exige cautela no estoque para o feriado.

A importância da presença constante é compartilhada pelos irmãos Francisco Assis, Tarcísio Moreira e Nelsa Dantas. Seguindo o exemplo do pai, eles se reúnem regularmente para cuidar do jazigo da família, que abriga o casal patriarca e um membro jovem da linhagem. Para Tarcísio, o ritual é uma forma de assegurar que quem partiu continue habitando o coração dos que ficam: “É questão de se manter vivo no coração de alguém”.

O cuidado coletivo é também a marca da família de Francisca e Maria Socorro Lacerda. Com visitas mensais organizadas entre os sete irmãos, elas garantem que o local de descanso dos pais esteja sempre preservado. Acompanhadas pelo familiar Ronne Lacerda, as irmãs reforçam que o ato de rezar o Pai Nosso e manter a sepultura organizada é um exercício de gratidão e fé. Para elas, a data representa a saudade, as recordações compartilhadas e a esperança do reencontro espiritual, transcendendo o simples ato de visitação.

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