Facção impõe taxas sobre venda de água e causa desabastecimento em Fortaleza e municípios do Ceará
Ameaças articuladas pelo grupo criminoso Comando Vermelho impuseram uma restrição grave ao comércio de água mineral, afetando diretamente a rotina de moradores em Fortaleza e em diversas cidades do interior do Ceará. A decisão de extorquir comerciantes, cobrando taxas indevidas para permitir a venda do produto, foi identificada como um novo modus operandi de controle territorial que impacta o acesso a um recurso essencial para a sobrevivência da população, nesta quarta-feira, 04/11/2026.
As denúncias indicam que o problema, inicialmente registrado em Banabuiú, expandiu-se para pontos da capital e municípios como Meruoca e Caridade. Em Fortaleza, os relatos concentram-se nos bairros Parque Dois Irmãos, Passaré e Manuel Dias Branco, áreas onde a presença da facção tem sufocado o fornecimento regular de água.
Segundo testemunhas, a prática teve início em 02 de novembro de 2026, durante o feriado de Finados. Uma moradora da Comunidade Rosalina, no Bairro Parque Dois Irmãos, relatou que comerciantes locais interromperam o serviço por receio de represálias. "Isso começou no dia 02 de novembro. Veio uma ordem para que começassem a cobrar pelo abastecimento de água mineral. O produto já acabou em muitos depósitos da região", afirmou, mantendo anonimato por segurança.
A situação é crítica em cidades como Meruoca, onde a falta de água mineral força moradores a consumirem água de poços e chafarizes sem tratamento adequado, aumentando o risco de doenças. "Quem não tem poço vai para o chafariz. Às vezes, a água é imprópria e as pessoas acabam ficando doentes", desabafou um morador local.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) foi procurada pela TV Verdes Mares para prestar esclarecimentos sobre as investigações e medidas de proteção à população, mas não houve retorno até 04/11/2026. A situação permanece sem resolução definitiva, mantendo o comércio sob constante tensão.
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