Estudo aponta associação entre uso de Ozempic e Wegovy e danos capilares e ungueais
A Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) revelou, nesta terça-feira, 13/10/2026, novas evidências científicas que associam o uso de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy, a alterações na saúde de unhas e cabelos. A investigação, apresentada durante o congresso anual da entidade, busca compreender o impacto dessas substâncias no bem-estar dermatológico dos pacientes que buscam o controle da obesidade e do diabetes tipo 2.
Ao analisar dados de 575 usuários de medicamentos e um grupo de controle composto por 1.329 pessoas na França, nos Estados Unidos, no Brasil e no México, a pesquisa identificou que 66% dos pacientes em tratamento apresentaram algum tipo de alteração ungueal. Entre os sintomas relatados, destaca-se o descolamento das unhas, que afetou 39% dos usuários de Canetas emagrecedoras, enquanto a descoloração atingiu 46% desse público.
Os dados também apontam para uma incidência relevante de problemas capilares. Segundo o estudo, 50% dos pacientes que utilizam esses fármacos relataram episódios de queda de cabelo, e 42% notaram redução significativa no volume ou na densidade dos fios. A ocorrência de vermelhidão e possíveis processos inflamatórios no couro cabeludo foi três vezes mais frequente entre os usuários do que no grupo que não utilizava as substâncias.
É importante ressaltar que os resultados, embora preocupantes, não confirmam uma relação direta de causa e efeito, caracterizando-se como uma associação observacional. Os pesquisadores explicam que fatores como a rápida perda de peso e condições preexistentes ainda precisam de investigações aprofundadas. Uma das conclusões centrais do estudo é que o emagrecimento isolado não explica a totalidade das manifestações clínicas identificadas.
Apesar desses achados, os especialistas enfatizam que o tratamento médico não deve ser interrompido sem recomendação profissional. A orientação é que pacientes que identifiquem sinais de irritação no couro cabeludo ou fragilidade nas unhas busquem auxílio médico para avaliação individualizada. Novas pesquisas prospectivas serão essenciais para esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos e garantir a segurança dos pacientes a longo prazo. Sob supervisão de Carolina Figueiredo.
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